sexta-feira, dezembro 29, 2006

(...)Pois a história das mulheres não é composta pela história de acontecimentos externos em progressão linear. Guerras, dinastias e impérios nasceram e morreram em períodos de tempo mais breves, e com menor impacto sobre a vida da mulher do que a prática do tabu da menstruação por exemplo, ou do infanticídio. Tais temas configuram a experiência vivida pela mulher muito mais do que datas ou feitos; e as fórmulas que eles criam são contínuas, circulares e imutáveis ao longo de muitas gerações. O ataque ao corpo da mulher que foi uma das consequências mais marcantes da imposição do monoteísmo patriarcal, não tem nenhuma data conveniente de início ou fim - , mas foi um dos principais fatores determinantes da história de toda mulher durante um período prolongado de tempo. Ele assinalou, e até precipitou, o declínio da mulher para a longa noite da opressão e grotesca perseguição feudais. Só a descida cada vez mais rápida no sentido do ponto mais baixo de miséria física poderia produzir o impulso necessário para a lenta ascenção de volta à humanidade plena.

Por que razão tornou-se o corpo da mulher campo de batalha tão crucial dos sexos? A resposta reside no âmago da luta masculina pela supremacia. Denotando a mulher como separada, diferente, inferior e, portanto, acertadamente subordinada, os homens transformaram as mulheres no primeiro e maior grupo discriminado da história da raça. Porém é impossível excluir a mulher integralmente das atividades dos homens. Nenhuma outra classe, casta ou minoria subordinada vive tão estreitamente integrada com seu opressor quanto a mulher; os machos da cultura dominante são obrigados a admiti-las em suas casas, cozinhas e camas. O controle em tamanha proximidade só pode ser mantido quando a mulher é induzida a consentir em sua própria degradação. Já que as mulheres não são inferiores, foi necessário que elas fossem bombardeadas com doses maçicas de literatura ideológica religiosa, social, biológica e, mais recentemente, psicológica, que explicava e insistia que as mulheres são secundárias em relação aos homens. E para fazer a mulher acreditar que é inferior, que melhor assunto para essa literatura catequética ou contos populares, xistes e costumes monitórios do que o corpo feminino? Destruindo o local básico de confiança e do sentido de individualidade do ser humano, cobrindo-o de culpa sexual e náusea física, os homens puderam garantir para si a insegurança e dependência das mulheres. Não há como se errar quanto à verdadeira natureza do crescendo de ataques planejados, e de âmbito mundial, à mulher ao longo de todos esses séculos. Todo patriarca que fumegava em sua difamação do sexo feminino estava tão engajado na objeta capitulação da mulher quanto as quadrilhas de estupradores Mundurucu dos Mares do Sul, cuja grande frase de gabolice era 'Nós domesticamos nossas mulheres com a banana'.
No entanto, a pura quantidade de material de regras e instruções, a imensa bateria de recursos voltados contra a mulher, ao mesmo tempo que falam do alto nível de ansiedade masculina, revelam também, implicitamente, a força da resistência das mulheres. Pois a mulher era 'um animal intratável', e em parte alguma exibia ela sua irracionalidade bruta mais claramente do que em sua recusa de consentimento à sua sujeição. A violência e continuidade das denúncias implicam na coerência e continuidade dos comportamentos proibidos que, para início de conversa, tornavam necessárias todas as instruções e advertências. A bateria de controles sociais e legais indica também quais as áreas precisas da ansiedade masculina; e não há uma só parte do corpo feminino que, de alguma forma, não seja a ocasião de alguma espécie de pânico, temor, raiva ou profundo horror.

Pois as mulheres eram perigosas em todas as partes de sua anatomia, dos pés à cabeça. Uma cabeleira farta pode provocar a luxúria; consequentemente o Talmud judeu, a partir do ano 600DC, permitia que um homem se divorciasse da mulher que saísse em público com o cabelo descoberto, enquanto S. Paulo chegou ao ponto de instruir os cristãos que, no caso de uma mulher entrar na igreja com a cabeça descoberta, seria melhor que sua cabeça fosse raspada. O rosto feminino era outra armadilha de Vênus para os pobres machos desamparados - em bizarra peça de teologia datada do século III da era cristã, Tertuliano, um dos primeiros escritores cristãos, sustentou que 'o florir das virgens' era responsável pela queda dos anjos: 'uma face assim tão perigosa, então, teria de ser mantida na sombra, já que criou pedras nas quais se tropeça mesmo no céu'.
No rosto, a mulher ocultava uma das suas armas mais potentes e traidoras: sua língua.

(o trecho acima foi retirado do livro 'A História do Mundo pela Mulher', de Rosalind Miles)
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'A única boa esposa é a silenciosa', tal é o proverbio encontrado em praticamente todas línguas do mundo, denotando a ameaça que poderia constituir à ordem a emissão da palavra por parte de uma mulher.
"Por história de verdade, solene, não consigo me interessar...as brigas entre papas e reis, com guerras e pestilências em todas as páginas, os homens todos muito ordinários, e praticamente nenhuma mulher." Jane Austen - a abadia Northanger

1 comentário:

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