quarta-feira, janeiro 31, 2007

O Autoritarismo e a Mulher - o jogo da dominação macho-fêmea no Brasil
Maria inacia d'Avilla Neto

Cap. III - Os tabus sexuais na família patriarcal – Preconceitos e estereótipos em relação à mulher.
“O patriarca – dono absoluto de sua propriedade, de sua família e de seus escravos – se transforma, depois da libertação dos escravos, no coronel, e depois no chefe político que decide as questões através de suas preferências pessoais e suas relações de família e de amizade.”






Complexo de Virilidade/ complexo de virgindade
O “Madonismo”, a exaltação da mulher virgem, reflete-se no culto à virgem, com o qual o brasileiro sempre teve grande identificação. Em direção oposta aos modelos de virtudes que se deveriam constituir as mulheres virgens, enquanto solteiras ou devotar a seu marido, quando casadas, os homens deveriam se comportar diferentemente. A eles era permitido conhecer outras mulheres, ter amantes, mesmo casados, como prova da masculinidade. A criação de famílias duplas, que cresciam ao lado das legítimas era freqüente, e com o consentimento das esposas. O fenômeno ainda é observado hoje no Brasil, em zonas menos industrializadas.Uma pesquisa de Goldberg entre universitários brasileiros, publicada em 1975, mostra que mais de 60% “consideram a virgindade essencial ou desejável” e quase 70% consideram-na “indiferente ou prejudicial ao homem”
Para Freye o “fato do culto á Virgem chegar a sobrepujar o culto ao Cristo se deve àquele Maternalismo moral e psiquicamente compensador dos excessos do patriarcalismo em nossa formação. Excessos identificados com o despotismo ou a tirania do homem sobre a mulher, do pai sobre o filho, do senhor sobre o escravo, do branco sobre o preto.”



“Os candomblés consistem em comunidades fechadas, acessíveis somente aos iniciados (e portando, eleitos) fundindo as várias religiões do negro africano, e sobrevivências religiosas dos indígenas brasileiros, com muita coisa do catolicismo popular e do espiritismo”. "consistem em comunidades fechadas", no sentindo que não obedecem a qualquer governo comum ou regras comuns.

“Este esquema de hierarquia (o candomblé) revela, sem sombra de dúvida, que as mulheres detêm todas as funções permanentes do candomblé, enquanto aos homens se reservam apenas as temporárias e as honorárias.” diz, Edson Carneiro.

A virgindade estabeleceu-se como um valor e corresponde à honra de uma mulher. No mesmo estilo, criaram-se os mitos da mulher para um só homem e um só lar e o da natureza polígama do homem. Com um padrão de dupla moralidade que encorajava e facilitava ao homem a existência de famílias extraconjugais, a procriação de filhos bastardos, a mulher legítima era exclusivamente destinada ao senhor. A conduta da mulher foi toda ela inspirada nos padrões de madonismo, apoiada pelos dogmas e pela ação da Igreja. A existência dos problemas conjugais, que na época era resolvida com o simples pedido de confinamento da mulher em um convento passou a constituir uma preocupação efetiva só em época relativamente recente.
Mais tarde, com toda oposição da Igreja, o Brasil apoiou o divórcio em 1966, ainda que com inúmeras restrições , o adultério masculino socialmente é compreensível pela natureza polígama do homem, o adultério feminino, entretanto, é punido com severidade, tanto pela desaprovação e descriminação social, como pelo castigo físico, ou mesmo assassinato. Freye relata casos no Brasil colonial onde mulheres foram punidas com a morte; no Brasil atual, um marido que lava sua honra, e pode ganhar a absolvição, perante o julgamento oficial. Do mesmo modo, a mulher separada (ou descasada) é freqüentemente estigmatizada. O “complexo de virilidade) – como chamou Willes 0 manifesta-se aí, nitidamente, pois permanece ainda profundamente arraigado à noção de que se trata de uma mulher livre, entendendo-se , por isso, uma mulher que se acha disponível à solicitação sexual de qualquer homem.

“Complexo de virgindade” figura da mulher, pura, imaculada, que, portanto não foi tocada em seu sexo . Por outro lado, a crença no poder a mulher como feiticeira aparece, sobretudo, ligado à mestiça, de cor, e se manifesta em especial através de seu sexo, ao qual se associa à própria noção de feitiço. O sexo ou o não-sexo (negativa do sexo) aparecem como pontos de superestimarão dos valores concedidos à mulher. O fato de ser a mulher de cor quem se associa na maioria das vezes, à feiticeira encontra também um paralelo entre a distinção entre magia branca e magia negra, esta última claramente associada à feitiçaria , com poderes maléficos, através da mestiça e de seu sexo. A imagem da Virgem Mãe, contudo, em geral, associa-se à mulher branca e à negação de seu sexo. Sua força mágica reside exatamente aí. O candomblé, como forma de sincretismo religioso, em que as raízes africanas, indígenas e católicas se misturam, adotou também o nome da mãe, ou seja, a mãe-de-santo, pata a sua figura hierárquica de maior importância. De outro lado, o fato de a escrava também prestar serviços sexuais ao seu senhor gerou um curioso fenômeno: filhos de vários pais biológicos se reuniam em torno da mesma mãe-preta. Aliado à preponderância do senhor branco sobre outras mulheres que mesmo brancas eram de camadas sociais mais pobres, criou-se n homem brasileiro esse complexo de virilidade, ou “machismo”, já que ele possuía várias mulheres. Esse machismo, que assume nas grandes cidades características mais duliídas, gira ainda em torno das proezas sexuais, do número de mulheres que já conheceu, de amantes que pode manter, exacerbando o mito da sua natureza polígama, e contribuindo para um tipo um tipo cristalizado de dupla moral nas relações homens/mulheres.

Os mecanismos psicológicos de dominação ou de hierarquia homem/mulher do Brasil estão ligados às figuras primárias de autoridade, em duas direções não opostas mas coexistentes.
os aspectos patricêntricos em suas formas mais marcantes são os da autoridade política do macho;
os aspectos matricêntricos são os que revelam o poder místico imputado à mulher.

Quem definiu que Sexo = Penetração

Sociedade Patriarcal e Falocrática: O Pênis define nossos corpos e a sexualidade. Estabelece o que é sexo.


Sexo = penetração é um imperativo produzido por uma sociedade assentada na Família e na Reprodução. Uma sociedade heteronormativa.


(nem reprodução exige penetração biologicamente falando...o pênis é um auxiliar nesse serviço, anatomicamente construído pra estimular a vagina e aumentar a probabilidade de fecundação, mas o semem que cair perto da vagina já pode engravidar. Hoje em dia, então, com as tecnologias reprodutivas...).


Logo, sexo foi definido como penetração não só para atender as demandas da civilização assentada na propriedade privada e herança, mas também pra dar poder simbólico a uma ordem assentada na divindade do Falo.

O Patriarcado tornou a sexualidade em um instrumento político, e assim o corpo da mulher se tornou instrumental.

(Acima, gravura de LEONARDO DA VINCI)
O poder de 'entrar' foi sendo construído pra dar respaldo à essa ordem falocentrica.
No âmbito semiótico a resignificação/construção do falo foi definindo a própria natureza do homem de transcendente e da mulher como imanente. O homem entra, domina, invade territórios, conquista reinos, possui o corpo da Terra, das mulheres filhas da Terra, da sua mulher, e o escraviza.

Virgindade foi um conceito criado para controlar a sexualidade das mulheres. Um tipo de esfíncter protetor vestigial de tecido fino e poroso existente na vagina das mulheres, que em várias circunstâncias pode ter sua abertura ampliada e tal evento produzir vazamento de sangue indolor, foi peça-chave para fisicamente garantir tal domínio.

Logo, virgindade foi definida pela violação. Mulher ser violada e homem violar pela primeira vez. Tal violação como rito de iniciação da mulher na maturidade socialmente aceita, assim como em alguns lugares maturidade constitui infibulação do clitóris.

Vivemos assim, sob o estigma corporal da virgindade que nos torna corpos violáveis e define homens como violadores.

A virgindade não existe.
Senão, todos somos virgens à exceção das lésbicas e gays.

segunda-feira, janeiro 29, 2007

O que de fato é a feminilidade:

Em resposta a essa pergunta, o camarada Cau postou o seguinte:

"Camarada Veggie, eu sei, eu sei! Aliás, o MINISTÉRIO DO TRABALHO SABE e me diz:



1 Demonstrar capacidade de persuasão
2 Demonstrar capacidade de expressão gestual
3 Demonstrar capacidade de realizar fantasias eróticas
4 Agir com honestidade
5 Demonstrar paciência
6 Planejar o futuro
7 Prestar solidariedade aos companheiros
8 Ouvir atentamente (saber ouvir)
9 Demonstrar capacidade lúdica
10 Respeitar o silêncio do cliente
11 Demonstrar capacidade de comunicação em língua estrangeira
12 Demonstrar ética profissional
13 Manter sigilo profissional
14 Respeitar código de não cortejar companheiros de colegas de trabalho
15 Proporcionar prazer
16 Cuidar da higiene pessoal
17 Conquistar o cliente
18 Demonstrar sensualidade


http://www.mtecbo.gov.br/busca/competencias.asp?codigo=5198

As COMPETÊNCIAS acima são as requeridas para o TRABALHO PROFISSIONAL DE PUTA!!! "

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Ao ler isso, uma menina perguntou: 'Mas é psicológa ou puta isso'?

São profissões femininas q muito se aproximam...afinal, o q é a psicóloga senão uma reprodução do modelo da mãe, pilar do lar, que absorve pra si toda emoção sem canal da estrutura familiar? Todas tensões, ressentimentos, desejos, frustrações? O cinto de castidade da família. O céu de amor da família, aquilo que contém em seu grande amor escravizado todos os membros, protegendo-os da evasão do âmbito do cárcere privado. Domesticada na heteronormatividade, para assim poder, tendo seus meios reprodutivos monopolizados por tal instituição, reproduzir os modelos da espécie patriarcal, perpetuar a HOMENidade...Descarrega tudo nela! Na puta! Na eterna ouvinte! Na eterna calada, compreensiva, empática, sensível, meiga, querida, terna, mansa, dócil, suave, acolhedora.Não é esse, o modelo de todas profissões? Secretária, telefonista, professora (paciente, serva), RECEPCIONISTA, comissária de borgo OU AEROMOÇA, enfermeira e outros tantos fetichismos ambulantes???
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numa comunidade chamada homens feministas....

Meu amigo Cau perguntou o que era virilidade e a certa altura do tópico, um palhaço qualquer lá escreveu o seguinte:


"Eu acho engracado essas comunidades, todo mundo fica falando com ironia com uma raivinha por tras...mai ninguem fala logo a real. Escreve textos e textos cheio de fantasia hehe

É obvio que com milhares de anos o ser humano foi extremizando as coisas e como os machos naturalmente produzem hormonios difernetes, assim sendo as vezes mais agressivo, mais instintivo, uma pequena diferenca biologica gerou grandes diferencas culturais, criando a mulher e o homem.

Portanto viril é aquele homem que demonstra seguranca, igual o leao e todos os outros machos, e o homem que trepa, que conquista que é o rei leao...nao tem mto segredo hehe

feminina é a mulher mais cuidados, mais calma, que conquista as coisas de forma pacifica e com aquele jeitinho apaixonante, que tem proporcao do corpo quadril, seios e cintura legal, que se cuida etc etc

A gente pode pegar perfis que nao sao ditos femininos e perfis que são para ver a diferenca, é bem nitida."


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...À essa merda toda, eis o que eu respondi:
<"Se a mulher feminina é 'a mulher que tem mais cuidados, mais calma, que conquista as coisas de forma pacifica e com aquele jeitinho apaixonante, que tem proporcao do corpo quadril, seios e cintura legal, que se cuida... "...

ou seja, ela não é nada mais nada menos que UMA PUTA!
Você paga ela, e ela satisfaz todas suas expectativas, desejos, fantasias. A ponto de se tornar uma fantasia material ambulante, denominado MULHER...lindo...não?

As que vc não paga, são coagidas pela força e violência da lei e da !ordem! a serem exatamente como o prescrito.

Uma concumbina, uma gueixa. Uma não-pessoa. Uma inexistente. Uma boneca inflável 100% material de carne, um vibrador pro onanismo masculino. Comprável em versão ao vivo, aluguel por hora, noite, dia, ou em versão 2D, impressa, na banca, ou ainda na telinha da sua TV, aperitivos aos domingos toda tarde qualquer canal (pois o mundo é dos homens, e o domingo exclusivamente seu), ou nos mais diversos sites. 90% do conteudo da net inteirinho pra você!

Não pense que tudo isso é gratúito. Alguma coisa tomam de você. Não é à toa que se tornou esse individuo execrável, decadente, morimbundo e fracassado. Meus Pêsames. Tornaste-se em um HOMEM. Mas não culpe as PUTAS, não culpe à mim, à nós, mulheres, suas PUTAS, culpe sua mãe que te comprou a primeira playboy, por medo que se tornasse uma bixa e fosse salvo de afundar na própria merda que se tornaria, ou seu pai, que para iniciá-lo no mundo da masculinidade e (i)maturidade, te levou pra zona pra ser comido por uma PUTA e assim jogar sua virgindade, sensibilidade, sexualidade, corpo, mente e valor-próprio da caçamba de LIXO, e assim, degradado, esvaziado, designificado, rebaixado, pode se tornar livre para ser a péssima coisa que és, vil, putrefato, decadente, miserável. Um...HOMEM DE FATO.

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retirado de um blog:

"As putas do meu país
Todas putas. Nós, regaladas putas que se comem à borla, e por todos os ângulos.
As coisas deviam ser assim: quando nos pedissem indicação do sexo, nos impressos das finanças, devíamos acrescentar um terceiro quadrado, o qual assinalaríamos, acrescentando, à frente: sexo - puta.

Desapareceu de sua casa um indivíduo de sexo puta.
A turma está bem constituída, metade rapazes, metade putas.
O partido x continua a ser o que inclui nas suas listas o maior número de putas em lugares elegíveis.
Hoje, as universidades, excepto as de tecnologias, foram invadidas pelas putas.
Algumas companhias de seguros fazem seguros mais baratos para as putas.
A minha puta-a-dias vem à sexta.
Aquela é que é puta que vende as nozes na praça.
A maior parte dos médicos e professores são putas.
A ecografia mostra que o feto é puta.
Estes lugares estão reservados a putas grávidas e a putas idosas.

Com quatro singelas letras se escreve a palavra puta, que é de todas as palavras, a mais bela que o mundo tem. E se a pronunciássemos em todas as situações, com o respeito devido, eu, que sou puta, puta completa, puta orgulhosa, que me habituei a ver o mundo como uma puta, a quem ensinaram a ser puta, e não saberia ser mais nada, acho que... oh, e isto faz-me espécie!, quando quisessem dar um curso de bairro sobre a história universal das minhas cambalhotas, que sou uma grande puta, e que gosto de ser puta, o que me chamariam?
Mulher?
Sinceramente, não iriam ter o descaramento de dizer que foderam a Isabela e que ela, caraças, se revelou uma grande mulher! "
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"Criança diagnosticada ao nascer que é do sexo puta. A mulher pode passar a vida tentando se desculpar do pecado original do ser puta, e ainda assim não livrará filh@s de ouvirem um 'filho da puta'. Coisa genética. O patriarcado imputa à mulher o ser puta, para esconder que a verdadeira puta, sob sua 'ordem', é o homem. " (Luis Carlos de Alencar Cau)




















Todas nós fomos estupradas

Digo isso numa tentativa de parodiar uma frase da Clarice Lispector no livro : a via crucis do corpo. 'Todos nós sofremos de neurose de guerra'.


(...)


retirado do site psyqweb:

"TRANSTORNO DE ESTRESSE PÓS-TRAUMÁTICO - 2
A "NEUROSE DE GUERRA" DOS CENTROS URBANOS

Capacidade de Aprendizado e Transtorno por Estresse Pós-Traumático

Alguns estudos em pacientes com Transtorno por Estresse Pós-Traumático se constata limitação da memória e do aprendizado. Contudo por enquanto a maior parte dessas pessoas eram ex-combatentes de guerra e havia uma mistura com alcoolismo nesses grupos o que pode prejudicar a análise dos dados. Jenkins e cols. testaram o comprometimento no aprendizado e na memória de pacientes com Transtorno por Estresse Pós-Traumático por estupro.

Foram 15 vítimas de estupro com Transtorno por Estresse Pós-Traumático, comparadas a 16 pessoas, também vítimas de estupro mas sem este transtorno e comparadas ainda com outras 16 sem experiências traumatizantes (total de três grupos). O grupo com Transtorno por Estresse Pós-Traumático apresentou uma incidência de 53% de depressão severa, enquanto as vítimas de estupro sem Transtorno por Estresse Pós-Traumático apenas 6% e o outro grupo 0%. Foi encontrado um leve déficit na memória nos pacientes com Transtorno por Estresse Pós-Traumático, da mesma maneira como já se havia encontrado com ex-combatentes de guerra.
(...)

Abuso sexual na infancia:
(...)

Quando ocorre dentro do seio familiar (o abusador é o pai ou padrasto, por exemplo), o processo é bastante complicado. Normalmente interna-se a criança para sua proteção, e toda uma equipe trabalha com o clareamento da situação. Por vezes, a criança é também espancada e deve ser tratada fisicamente. A família se divide entre os que acusam o abusador e os que acusam a vítima, culpando esta última pela participação e provocação do abuso. O tratamento, então, é inicialmente direcionado para a intervenção em crise.

Depois, tanto a criança, quanto o abusador e a família devem ser tratados a longo prazo.

Devido ao fato de abuso de menores ser um crime, o tratamento do abusador torna-se mais difícil.


As consequências emocionais para a criança são bastante graves, tornando-as inseguras, culpadas, deprimidas, com problemas sexuais e problemas nos relacionamentos íntimos na vida adulta."



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Destes ultimos sintomas apresentados, que mulher não tem um ou mais, ou pelo menos se sentiu várias vezes na vida...:

[ ]inseguras?
[ ]culpadas?
[ ]deprimidas?
[ ]com problemas sexuais?
[ ]problemas nos relacionamentos íntimos na vida adulta?

'

Problemas sexuais', leia-se = frigidez, não-orgasmo, desgosto por sexo, vergonha do corpo, dificuldade com a própria sexualidade, ausencia da vontade de masturbação ou auto-erotismo, doenças ginecológicas por falta de atenção ao próprio corpo e de informação sobre sexualidade/interesse nesse assunto, tão ditos 'característicos' das mulheres...

Para se ser mulher, 'deve-se' ter sido de alguma forma, estuprada. Só isso nos faz mulheres.

Viva a feminilidade! Oh virtude maior da mulher! O silêncio e o comedimento, o temor e a virgindade.!

DON´T RAPE PORRA!

"A lot has been said about how to prevent rape. Women should learn self-defense. Women should lock themselves in their houses after dark. Women shouldn't have long hair and women shouldn't wear short skirts. Women shouldn't leave drinks unattended. Fuck, they shouldn't dare to get drunk at all.

Instead of that bullshit, how about:

If a woman is drunk, don't rape her.
If a woman is walking alone at night, don't rape her.
If a women is drugged and unconscious, don't rape her.
If a woman is wearing a short skirt, don't rape her.
If a woman is jogging in a park at 5AM, don't rape her.
If a woman looks like your ex-girlfriend you're still hung up on, don't rape her.
If a woman is asleep in her bed, don't rape her.
If a woman is asleep in your bed, don't rape her.
If a woman is doing her laundry, don't rape her.
If a woman is in a coma, don't rape her.
If a woman changes her mind in the middle of or about a particular activity, don't rape her.
If a woman has repeatedly refused a certain activity, don't rape her.
If a woman is not yet a woman, but a child, don't rape her.
If your girlfriend or wife is not in the mood, don't rape her.
If your step-daughter is watching TV, don't rape her.
If you break into a house and find a woman there, don't rape her.
If your friend thinks it's okay to rape someone, tell him it's not, and that he's not your friend.
If your "friend" tells you he raped someone, report him to the police.
If your frat-brother or another guy at the party tells you there's an unconscious woman upstairs and it's your turn, don't rape her, call the police and report him as a rapist.
Tell your sons, god-sons, nephews, grandsons, and sons of friends that it's not okay to rape someone.


bullshit:

great fucking bullshit.

Don't just tell your women friends how to be safe and avoid rape. Don't imply that she could have avoided it if she'd only done/not done x, y, or z. Don't imply that it's in any way her fault. Don't let silence imply agreement when someone tells you he "got some" with the drunk girl. Don't perpetuate a culture that tells you that you have no control over or responsibility for your actions. You can too help yourself. Rape is not about sex, it's about control and power, and what kind of power comes from taking advantage of others? No power anyone should ever desire.



(texto que segundo uma amiga, circulou na net, não sei a autoria.)

Pornografia e Prostituição como Exploração Sexual



Quais os tipos de exploração sexual?

(tirado do site matraca.org.br)
Pornografia

É a exposição de pessoas com suas partes sexuais visíveis ou práticas sexuais entre adultos, adultos e crianças, entre crianças ou entre adultos com animais, em revistas, livros, filmes, e principalmente na Internet. A pornografia envolvendo crianças e adolescentes é considerada crime, tanto para aquelas pessoas que fotografam ou expõem crianças ou adolescentes nus em posições sedutoras com objetivos sexuais, quanto aqueles que mostram para crianças ou adolescentes fotos, vídeos ou cenas pornográficas.

Troca sexual

É a oferta de sexo para a obtenção de outros favores. Muitas crianças e adolescentes que fogem de casa, que vivem nas ruas, mantêm relações sexuais com adultos em troca de comida, de uma noite de sono em um hotel ou para adquirir cotas de drogas. Crianças e adolescentes de classe média também podem trocar sexo por drogas ou produtos “de marca”.
(...)

O Patriarcado age neutralizando o abuso sexual e o normatizando: tolera ele que, por motivos diplomáticos, a exploração sexual (base de seu sistema) somente seja reconhecida como o crime que é no caso das crianças. Poupa-se as crianças. Mas, se elas completarem 18 anos, estão entregues à 'vida'.

Logo, nós mulheres adultas ou quase, somos prostituíveis e abusáveis, pois isso é a maior virtude de ser mulher!! E só isso pode nos tornar mulher, e nos dizer nosso lugar. O intercourse que nos torna heterossexuadas/ero-masoquistas.

Terrorismo Heteronormativo






...Terrorismos da misoginia estupradora e lesbofóbica.

Lésbicas espancandas em Boite Sertaneja em Goiânia

- Lésbica denuncia Lesbofobia de boate sertaneja de Goiânia -


Andréa Angélica de Jesus ,analista de sistema denunciou hoje na Associação goiana de gays, lésbicas e transgeneros-AGLT que foi vítima de lesbofobia ( aversão/agressão as lésbicas) na boate sertaneja Eclipse . No dia 06 de janeiro Andréa e sua companheira A.C.P.M.M foram agredidas por 15 seguranças da boate, depois de trocaram um beijo em público. Além da violência física contra as mulheres, a casa de shows eclipse está sendo denunciada pelo fato da humilhação que as lésbicas foram submetidas com as palavras de “ baixo calão” desferidas pelos seguranças , como vagabundas, aberrações da natureza, safadas. De acordo com Andréa “ fomos agredidas na maior covardia com socos,socos, tapas, sendo arrastadas por toda a casa pelos cabelos.Segundo a vítima, seus amigos gravaram todas as cenas das agressões em aparelhos celulares que foram retidos pela casa de show e apagados todos os arquivos que tinham sido salvos, acabando assim, com provas concretas (fotos e vídeos) da ação dolosa dos seguranças.

De acordo com Andréa “ fomos agredidas na maior covardia com socos,socos, tapas, sendo arrastadas por toda a casa pelos cabelos.Segundo a vítima, seus amigos gravaram todas as cenas das agressões em aparelhos celulares que foram retidos pela casa de show e apagados todos os arquivos que tinham sido salvos, acabando assim, com provas concretas (fotos e vídeos).

(...)

Por que a heteronormatividade é um tipo de violência da sociedade civil, tão organizada, efetiva, constante?

A heterossexualidade não é normal, não é a regra. É uma estratégia de colonização-dominação. Dominação no caso dos homens, pois afirma a prevalecia de uma sexualidade determinada pela penetração do pênis no corpo da mulher. Colonização no caso das mulheres. A heterossexualidade feminina é a maior expressão da sua submissão e colaboração com a falocracia que a domina.

A mulher que não aceita um pênis penetrá-la é violentada à força pra aceitar tal invasão. Se ela prefere uma troca recíproca de prazer, amor, união e apoio em termos de igualdade, numa formação de verdadeira coalização feminina contra o patriarcado, no caso da lesbianidade, são violentadas também de forma a destruir o resto de seu self que lhe deu a força pra decidir pela autonomia. Restando nada, pode ser usada pelos machos, e tornar-se reproduzível.

A Heterossexualidade é um aprendizado social forçado, quem não segue sofre duras penas. Violência, isolamento, desprezo, desaprovação, solidão, angústia. Mas é o preço pago pela liberdade. Uma lésbica é um ser humano que resiste, que não se resigna, e sofre por não poder conseguir se conformar nunca. Nunca conseguir se submeter. Seu instinto indomável de liberdade que nada consegue sufocar, somente se matá-las, mas talvez nem com isso.

O Heterossexismo e Homo-Lesbofobia é a polícia mais truculenta do patriarcado, e que mobiliza à todos nós.
E como consegue nossa colaboração na própria degradação?
Simples: coerção. Agimos sob coerção. Se simpatizamos com os gays, somos punidos. Porque todos no fundo são gays. Todas mulheres tem que ser presas na marra nas suas funções reprodutivas, pois o perigo de todas serem lésbicas é muito real.
A homolesbofobia destrói e trucida à todos nós. Mesmo os hipócritas e medrosos que ainda se denominam 'heteros'.

domingo, janeiro 21, 2007

- ROSA -



(retirado de: http://asassumidas.blogspot.com)

Esta poesia foi feita com muita amargura e solidariedade. Pensem nas mulheres estupradas, pensem em sua dor infinita, pensem nesta sociedade que permite esse tipo de atrocidade. Esta é uma campanha pelo direito das Mulheres que também são direitos humanos.


Fechou lentamente as pernas
A dor aguda e latejante inflamava todos os seus poros
As lágrimas não caíam, porque não entendia ainda o que acontecia
Estava jogada, como um animal imundo,
em um beco escuro
O mesmo beco escuro, o buraco fétido e mesquinho,
onde os humanos jogavam impunemente suas ignorâncias e hipocrisias
Lá estava ela, com a calcinha rasgada, fazendo parte das estatísticas
Lá estava ela, engolindo todo preconceito do mundo
como se fossem facas afiadas dilacerando-lhe a garganta já machucada
Não conseguia levantar
Seu corpo, agora, era um pedaço de carne podre e dolorida
E dentro dela, a sensação da maior solidão já sentida por alguém
Sentiu-se como o mais impotente dos seres,
pois suas mãos, tão delicadas, tentaram parar a violência tão histórica e
tão estúpida, mas não conseguiram
Sua voz queria inundar o mundo
Queria gritar que aquilo tudo era tão injusto e deprimente
Mas de sua boca oprimida, só saiam gemidos sufocados de dor
Indicando assim, que sua parca dignidade esvaía-se a cada penetração áspera e nojenta
Sentiu-se uma carcaça inútil
Fora invadida, massacrada, humilhada
O sangue escorria-lhe entre as pernas
E agora, a única certeza que possuía
era a sua semelhança com um mero buraco onde encontrava-se a inscrição: ejacule aqui.
Era, neste instante, um vazo receptor de esperma
E sentiu pena de si mesma
Foi então que conseguiu chorar
Em meio a toda aquela loucura, percebeu que tinha algo sem nome
que a feria tanto e tanto ...
Como sentir pena de si mesma, se a única culpa que tinha era ser MULHER?
Contorcia-se no chão, com medo de tocar suas feridas
Seu sexo, poucas vezes tocado por alguém (ou por ela mesma),
agora estava exposto e dilacerado pela violência do senso comum
Estava tão enjoada, tão nauseada... Vomitou
Vomitou sua própria existência
Vomitou o curso de sua vida, para sempre alterado
Vomitou a indignação de saber que nunca mais esqueceria
a cara daquele verme maldito
Fechou lentamente as pernas e tentou levantar
Estava com tanto medo e tanta vontade de chorar para sempre
Seus olhos, perdidos, vagavam sem nenhuma esperança
Ela agora, era só mais um sexo violentado, ensangüentado
jogado às margens do mundo dos Homens
Sim. Pois era o mundo dos Homens
Os homens que podiam estuprar, humilhar, machucar, gozar
levantar sorrindo e seguirem normalmente suas vidas
Vagabunda. Foi a última palavra que escutou daquele homem sem nome,
revestido de poder e brutalidade
Sentia seu corpo tão público e devastado
Tantos silêncios revestiam aquela barbaridade
Pois sabia que teria que responder perguntas como:
O que você estava vestindo? O que estava fazendo sozinha a essa hora na rua?
Será que alguém perguntaria como era o sentimento de ser considerado
um objeto destinado a proporcionar orgasmo instantâneo a um porco?
Será que alguém perguntaria como era difícil reunir os cacos de sua existência,
depois de tamanha violência?
Existência diminuída, que se esvaia juntamente com o sangue
que sujavam suas coxas
Apesar de tudo levantou-se. Começou a andar devagar
Qualquer movimento era uma grande penalidade
Vagabunda, teve o que merecia.
Foi o que escutou, daquele que ejaculou toda violência prepotente
e toda ignorância do mundo dos homens dentro de seu corpo indefeso
O que merecia? Pensou...
Mereço ser invadida, pois sou Mulher
Mereço ser estuprada, devastada, exposta pois carrego o segundo sexo
Mereço a dor de uma penetração imunda pois nasci libidinosa
Balançava a cabeça, negando seu papel secundário
Dói tanto...
Dói tanto...
Seguiu, lentamente tentando olhar para as estrelas
Porém estas, estarrecidas com o horrível festival, esquivaram-se
Estava sozinha , estava frágil
Infelizmente, estava historicizada
Prosseguiu em linha reta, sem perspectiva, sem vontade ou glória
Prosseguiu seca ,sem gosto
Não esperava, não ansiava
Apenas seguia o curso daquela idiotice
Haveria alguma ajuda? Algum porto seguro?
Seus pés doloridos e injustiçados diziam: Prossiga!
Era ela, e toda sua força, ressurgindo do fim
Seguiu. Não em busca de um caminho, mais apenas de um breve repouso
Estava só, e quase ninguém a abraçaria sinceramente
Foi. Estuprada e calejada
Cuspindo no caminho que lhe destinaram
Foi. Querendo apenas que uma brisa leve
varresse aquele cheiro nojento de poder e punição
Estava cansada. E na próxima semana completaria 18 anos...

JAS


'Oh, God, who does not exist, you hate women, otherwise you'd have made them different. And Jesus, who snubbed your mother, you hate them more. Roaming around all that time with a bunch of men, fishing; and sermons-on-the-mount. Abandoning women. I thought of all the women who had it, and didn't even know when the big moment was, and others saying their rosary with the beads held over the side of the bed, and others saying, "Stop, stop, you dirty old dog," and others yelling desperately to be jacked right up to their middles, and it often leading to nothing, and them getting up out of bed and riding a poor door knob and kissing the wooden face of a door and urging with foul language, then crying, wiping the knob, and it all adding up to nothing either. - EDNA O'BRIEN, Girls in Their Married Bliss '

quarta-feira, janeiro 17, 2007

Os homens são pau-doce

Fazendo uma inversão do termo escroto deles, digo que essa hierarquia ridícula e sem vergonha de 'Dar x Comer', e derivados como ter, possuir, foder, fazer, meter, furar, deflorar ou se entregar, ser possuida, ceder, e tantas outras torturas sexo-linguisticas, revela a pau-docisse dos homens falo-obcecados, pois tal hierarquia serve pra que somente os homens tenham legitimidade em sua sexualidade, pois somente ela pode ser vantajosa. Pras mulheres, é um desvirtuamento, e tem um preço alto a pagar por tal 'liberdade'.


Não podemos, como nossas mães dizem, sair por aí comendo, fodendo o pau dos homens, esfolando pinto, possuindo caras, azarar meninos pudicos e inocentes. Porque a gente dá, nossa vagina é um desprivilégio, um estigma com o qual nascemos, uma desvantagem, uma coisa desguarnecida, reservada, e supostamente penetrável e vulnerável, e graças a ela somos tudo isso também.

Ha..., mentiras da ordem. Estupros não são tão simples de serem feitos. A vagina tem músculos fortíssimos, e ela se fecha ferozmente a qualquer ataque, justificando séculos de silencio e resistecia feminina na frigidez, já que esses homens e essa ordem não podem nos dar tesão e nem todas querem virar masoquistas.

Eles ocorrem porque essa ordem dá total apoio e respaldo pro pau, enche as bolas inúteis dele, dizendo-o vigoroso, forte, poderoso, ameaçador.


O poder do homem é se fazer se PAU DOCE. Se você quiser me comer você vai ter dado porque a ordem é minha e sou eu que comando, e o prazer é meu, o desejo é meu, e todas vocês estão a minha disposição se eu quiser fazer uso da minha arma ,
e porque sou vil e escroto vocês disputam a tapas um homem que seja minimamente menos carrasco, que lhes faça o favor de não oprimir, que seja gentil na violação, condição sine qua non para que seja mulher de verdade E falam 'Não existe homem decente', 'É difícil achar homem decente', 'Oh! Você é uma raridade, tão diferente dos demais!', a mais valia do pau doce.

Mas todos eles são mentirosos e vis
Ele só está fazendo um favor pra você
No fundo ele é igual a todos outros
Porque ele ainda acha feminismo muito radical
e crê na conciliação e convivencia pacífica dos opostos
macho/femea, opressor/oprimido.
E porque ele nunca vai querer abrir mão de sua masculinidade
Que tantos privilégios lhe dá.

Eles usam do seu poder de pau doce
aquele pau erguido na soberba
(apesar de que bem sabemos, ele está assim na menor parte das vezes
só se ergue qdo o 'dono' nem quer e na maior parte do tempo
fica recolhido na sua insignificância de clitóris hipertrofiado)
tal como um dedo indicador, dedoduro
Acusando: HA! Sua puta! Você deu pra mim! HAHHAHAHAHAHAH

Assim eles nos vexam e nos desmoralizam
nos deslegitimam
Fazendo uso do seu pau doce

Nenhum homem está disponível
Aliás, todos estão
Mas com o preço da nossa danação
Afinal são eles os donos da ordem.

Porque o prazer está sob seu unico e exclusivo monopólio

Os exceções

Oh! Que lindo esse homem tão sensível!
Uma raridade!
Ele faz o favor de não fazer uso de seu poder de me estuprar!
Vamos louvar as exceções!
Homem assim é pedra rara!
Não são todos que podem fazer uso de seu poder de estuprar
Eles são tão bonzinhos esses meus carrascos!

Foda-se.

"I'm so sorry if i'm alienating some of you!
YOUR WHOLE FUCKING CULTURE ALIENATES ME!" - bikini kill

"...star bellied boy diferent from the rest, you're so diferent from the rest, prove you diference from the rest! YOU ARE NOT FUCKING DIFERENT FROM THE REST!!" (idem)

resposta do Arthur Grimm:

"Mas poooxa, como você generaliza..!

Eu que sou um homem super-feminista radical. Eu sou tão foda, mas tão foda, que me dou ao trabalho de ser feminista mesmo sendo homem e correndo o risco de perder privilégios.. nossa, na verdade eu acho que isso me torna mais radical que todas vocês!

Não sou lindo? Poxa, é óbvio que sou... merecia até uma cerveja, vai.

E eu sei que, mesmo com todo o Absuuuurdo sacrifício que eu faço em me assumir feminista - porque vocês sabem, homem feminista é nobre que se sacrifica, e mulheres feministas são todas egoístas -, vale a pena, porque as gatinhas me adoram!
Nossa.. quantos scraps pagando pau por eu estar em comunidades feministas, e por eu ter essa radicalidade e vanguarda de pensamento tão fodônica!

Lógico que também tem essas "exageradas", essas "femistas", que ficam aí generalizando. Mas que absurdo: desconfiar que Euzinho, só por ser homem e ter um milhão de heranças na minha sexualidade e forma de agir, vou estar tentando "fodê-las". Ah, qualé...

Até porque, uma fodinha não é nada de mais, sabe? E eu acho que nisso sou até o mais radical de todos: só bato punheta pensando em mulher feminista, e sempre fazendo todas gozarem na minha fantasia - uau, generoso pra caramba, hein!

Cês não deviam me desperdiçar não, aproveitem que eu tô solteiro! E não deixem passar essa oportunidade agindo feito essas "femistas", que no fundo ficam aí é fazendo apologia pro lesbianismo, como se fossem todas "superiores" - tsc, magina, ficar falando que a heterossexualidade reitera o phoder, que bobagem essa!"

Feminilidade



Nua, vulnerável, frágil


Feminilidade


frágil, fiel, emotiva


carente, amiga...submissa


casta, disponível, necessitada


Bela...Não para mim.


Nada é meu.


Só dum homem... Homem?


O que é homem? Não quero ser um homem...


Existe isso?


Peitoral sarado, braços, ombros, músculos, pênis.


É isso?


Grosso.


É isso?


Isso que queria?


Para suprir a grosseria que me falta?


Que é tão premiada mundo afora?


Dor


É dor...dou...dar. Doar. Leilão de mim


Eu dou


minha vagina


meu eu


meu corpo?


uma puta? Vendo, entrego, cedo. Para quê?
Para me fazer mulher.


prum homem me fazer mulher.


Para ser esta, ser comido, devorado, deglutido, posse abjeta.


Ora, se é apenas comida, coisa efêmera, para que tê-la?
As fomes do Homem não são tão mais sublimes e superiores?


Para quê possuir, domar, dominar, ter, foder, as mulheres,


coisa assim ser valor nem substancia de pessoa?


Aliás, mulher não têm...


Dá. Cede.


autonomia que nos cabe. autonomia que nos restou.


Quem se destrói sou eu, que cedo.


me fudi.


dei a chance


A permissão


relaxei a guarda.


Apesar da minha vagina nem ter direito a guarda...




O que é isso? Vagina? Nunca vi.


tenho? Sou mulher? Sou o quê?


o que devo fazer para ser Ser?




Então eu me rendo. Dou-me a um homem


Para que me inicie no ser-Eu


Que só é um sempre Outro


Um Outro-para-ele


Com olhos emprestados dele.


eu, este corpo que carrega


500 folículos potencialmente óvulos-imanência


À sua disposição


Capital-sexual-reprodutivo privado


De mim




Entrego-me, perdição, à uma paixão arrebatadora


Que para uns é estupidez


Pois tudo em mim é estúpido


Principalmente os sentimentos


meu resquício possível de Pessoa




meu corpo débil, desprovido de músculos, de defesa, vigor


com um buraco-vácuo vazio, escuro e sem valor no meio das pernas fracas


Que qualquer um que porte virilidade e grosseria pode violar


Ao bel prazer



Por intermédio de um Homem posso ter dinheiro


posso ter dignidade, proteção, sustento


Orgulho, algum prazer menor e obrigatoriamente a tal felicidade


meu ser só é se por intermédio de um homem


que o faça valer


parasita




Firmeza, Anestesia da alma, Insensibilidade, Lógica, Sensatez


Indiferença, Poder Inato


Ambição, Guerra, Liberdade


Orgasmo instantâneo, poligamia concunbinato cafetinagem


Civilização




Rendo-me! Imperem


Impere o inimigo sobre meu corpo


que no fundo o que quero é isso


porque foder é bom


Pra eles



rendo-me, entrego-me, cedo o território


Violável meu



ou deveria me unir com o aliado eu


Mulher


Eu Mesma


Companheira lesbiana de Mim?



Tem coração como Eu


Seios como Eu


Vagina como Eu


Ternura como Eu


Espéculo amor de apoio mútuo recíprocidade recíproca


identidade, encontro, dialogo de eus-irmãs


Amiga Força


Solidariedade


Dou-Me a mim




mas mulher sobra no mundo e homem decente falta!
odeio minhas companheiras de luta, minhas iguais,


minhas irmãs


que me fazem infeliz


por frustrar-me em meu intento de


ser aquilo que sou designada a ser


mulher




Pois só um homem pode me fazer mulher


Dizer o que é ser mulher


e posso comprar um homem por algum hímem


Só um desses pode esclarecer quem eu sou


Pois não me possuo.



Alienada de mim.






(agosto.2002, reformado hj)



janaína rossi

A Vênus Rebelada de Rodin


Duas obras célebres, na boca do povo:


Vênus de Milo e O Pensador de Rodin.


Este, alegoria concreta da humanidade: 'O Homem'



O homem e o mundo


Concebido num ato que lhe é peculiar


de humanidade-homem: Pensar.


Pensando, pelo resto de seus dias


Pensando com seus músculos,


sua carne fielmente reproduzida na escultura


na Grande escultura-obra divina do ser-Homem.



E a Vênus


Vênus do Milo, mas de Atenas


Mãe da humanidade a tal cidade.


Vênus que, raptada pelos romanos


que lhe amputaram os braços e a alma.



Rodin também amputava suas figuras


assim que terminadas


afim de enfatizar aquilo que preferia


ocultando as partes expressivas acessórias.


Dilapidando a figura-humana.



Vênus, O porta-voz da feminilidade


Mesmo com os braços amputados


Sobreviveu seu principal:



Seu rosto dócil, levemente virado


Pois a luz é reservada para o corpo estático,


troglodita, materno, opulento e próspero


curvilíneo, pudico.


O pano caído pelas ancas


conta-nos da timidez de sua castidade tacitamente


inferida de sua condição.



Mas a bela Venus é também deficiente:


seus braços na condenam à eterna imanência


O pano pelas ancas que lhe desvela-cede sua vulnerabilidade


Para sempre incapacitada.


Talvez a única coisa que quisesse


fosse puxar aquele pano e cobrir seu corpo vergonhado



ser egoísta. Queria ser egoísta.



Apesar disso, a amamos.


E não seria ela a Vênus que queremos


se não fosse pela tal deficiência-eficiência



Queremo-na assim mesmo: dócil


o rosto que ostenta o olhar amável, sereno


A deusa das Mulheres!


A Deusa da Feminilidade


Nossa representante!


Onde projetamos nosso ideal de Ser.



Eu, porém, projeto-me em outra anamolia


ainda não aceita, tal como o é a consagrada Vênus:


é a Vênus de Rodin


Pensando, pensando


Com seus seios, com sua vulva, com


Seu coração e seu corpo


Pensamento-corpo-fertilidade-Vida


Fugida do Atêlie


Ladra dos instrumentos do 'Mestre'


Procurada pela Lei


Criminosa da arte


Insurreitora das massas de mulheres pelo mundo


Que mudou seu sobrenome


Que amaldiçoou seu 'mestre-criador' homem


Que sobrevive subvertendo a feminilidade


A não-Amada, a desprezada, a grande-Puta, a desertora


Vênus das Mulheres.


(...)



janaína rossi



julho 2002, alterado em janeiro de 2007.



(abaixo, 'A pensadora profunda' de Camille Claudel)

É fácil culpar os silenciosos
E é fácil permanecer calado
...
Não é fácil se organizar nem no silêncio.
(...)

janaina rossi
fevereiro 2002

sábado, janeiro 06, 2007

A mulher que se identifica com a mulher


O que é uma lésbica? Uma lésbica é a fúria de todas as mulheres condensada até ao ponto de explosão. Ela é a mulher que, muitas vezes numa idade muito jovem, começa a actuar de acordo com a sua necessidade compulsiva de ser um ser humano mais completo e livre que - talvez então mas certamente mais tarde - a sociedade onde vive a deixa ser.
[...]

Estas necessidades e acções ao longo dos anos, conduzem-na a um conflito doloroso com as pessoas, situações, formas aceitáveis de pensar, de sentir e de comportamento, até se encontrar num estado de guerra permanente com tudo à sua volta e geralmente também com ela própria. Pode não estar totalmente consciente das implicações políticas do que para ela começou como necessidade pessoal, mas num dado plano não foi capaz de aceitar as limitações e a opressão imposta pelo papel mais básico da sua sociedade - o papel de mulher.

[...]O lesbianismo é também diferente da homossexualidade masculina
e tem uma função diferente na sociedade. "Fufa"* é uma forma
depreciativa diferente de "paneleiro", embora ambos impliquem que não se está a actuar de acordo com o papel sexual socialmente atribuído - que não se é uma "verdadeira mulher" ou "verdadeiro homem". A admiração invejosa que se sente pela maria-rapaz e o sentimento de mal-estar sentido à volta de um rapaz efeminado apontam para a mesma coisa; o desprezo com que são encaradas as mulheres - ou aqueles que desempenham o papel feminino. E o investimento feito para manter as mulheres nesse papel desprezível é muito grande. Lésbica é a palavra, a etiqueta, a condição que mantêm as mulheres na linha. Quando uma mulher ouve esta palavra ser lançada na sua direcção, sabe que está a pisar o risco. Sabe que atravessou a terrível fronteira do seu papel sexual. Recua, protesta, reformula as suas acções para receber aprovação.

Lésbica é uma etiqueta inventada pelo homem para atirar a qualquer mulher que queira ser sua igual, que tenha a audácia de desafiar as prerrogativas dos homens (incluindo a prerrogativa de todas as mulheres serem usadas como moeda de troca entre os homens), que tem a audácia de afirmar a primazia das suas próprias necessidades. Ter esta etiqueta aplicada a pessoas que estão activas no movimento de libertação das mulheres, é apenas o episódio mais recente de uma longa história; as mulheres mais velhas lembrar-se-ão que não há muito tempo, qualquer mulher independente que tivesse sucesso e não orientasse toda a sua vida à volta de um homem ouviria esta palavra. Isto em si deveria dizer-nos em que pé as mulheres se encontram. Diz tão claramente quanto pode ser dito: mulheres e pessoa são termos contraditórios. Porque uma lésbica não é considerada uma "verdadeira mulher". E contudo, no pensamento popular, existe apenas uma diferença essencial entre uma lésbica e as outras mulheres: a orientação sexual - ou seja, depois de se retirar o papel de embrulho, deveremos finalmente compreender que a essência de ser "mulher" é ser fodida por um homem.

"Lésbica" é uma das categorias sexuais em que os homens dividiram a humanidade. [...]Afixar a etiqueta de lésbica não apenas a uma mulher que aspira a ser uma pessoa, mas também a qualquer situação de verdadeiro amor, verdadeira solidariedade, verdadeira primazia entre as mulheres é uma forma primária de divisão entre as mulheres dentro dos limites do papel feminino e é o termo que ridiculariza/assusta as mulheres e que as impede de formar quaisquer ligações, grupos ou associações primárias entre elas.

As mulheres no movimento tem numa maioria dos casos feito grandes esforços para evitar discussões e confrontações sobre a questão do lesbianismo. Preferem não falar no assunto. Se o tem de fazer, tentam impedir que se continue por ser um falso problema. Mas não é uma questão secundária. É absolutamente essencial para o sucesso e o atingir dos objectivos do movimento de libertação das mulheres que se lide com esta questão. Enquanto a etiqueta de "fufa" poder ser usada para assustar as mulheres para que estas se tornem menos militantes, se mantenham afastadas das suas irmãs, para afastá-las de dar primazia a tudo o que não seja os homens e família - então desse modo elas são controladas pela cultura dos homens. Até as mulheres conseguirem ver umas nas outras a possibilidade de um compromisso primordial que inclui o amor sexual, estarão a negar a elas próprias o amor e o valor que dão inerentemente aos homens, afirmando desse modo o seu estatuto de segunda classe. Enquanto que o mais importante seja a aceitação pelos homens - tanto para as mulheres individuais como para o movimento como um todo - o termo lésbica será usado eficazmente contra as mulheres. Enquanto as mulheres quiserem apenas mais privilégios dentro do sistema não querem antagonizar o poder dos homens. Em vez disso procuram uma aceitação da libertação das mulheres e o aspecto mais crucial desta aceitação é negar o lesbianismo - isto é negar qualquer desafio fundamental à base do papel da mulher.

Mas porque é que as mulheres se relacionam com e através dos homens? Em virtude de termos sido educadas numa sociedade de homens, interiorizamos a definição que a cultura dos homens dá de nós próprias. Essa definição vê-nos como seres relativos que existem não para nós próprias mas sim para o serviço, manutenção e conforto dos homens. Essa definição confina-nos em funções sexuais e de família e exclui-nos de definir e elaborar os termos das nossas vidas. Em troca dos nossos serviços psíquicos e da execução de funções não lucrativas, o homem dá-nos apenas uma coisa: o estado de escrava que nos torna legítima aos olhos da sociedade em que vivemos. A isto dá-se o nome no calão cultural a "feminilidade" ou "ser uma mulher verdadeira". Nós somos autênticas, legítimas, reais se formos propriedade de algum homem cujo nome usamos. Ser uma mulher que não pertence a qualquer homem é ser invisível, patética, inautêntica, irreal. Ele confirma a sua imagem de nós - de aquilo que temos de ser de modo a ser aceitável por ele - mas não dos nossos verdadeiros seres.; ele confirma o nosso estatuto de mulher - tal como ele o define, em relação a ele - mas não pode confirmar o nosso estatuto de pessoa, os nossos seres como absolutos. Enquanto estivermos dependentes da cultura dos homens, para esta aprovação, não podemos ser livres.

A consequência de interiorizar este papel é um enorme reservatório de auto-ódio. Isto não corresponde a dizer que este auto-ódio é reconhecido ou aceite como tal; com efeito muitas mulheres negá-lo-ão. Pode ser experimentado como desconforto com o seu papel, sentimento de vazio, entorpecimento, desassossego, uma ansiedade paralizante. Alternativamente, pode ser expresso através de uma grande defesa do destino e da glória do seu papel. Mas este auto-ódio existe, muitas vezes no inconsciente, envenenando a sua existência, mantendo-a alienada de ela própria, das suas necessidades e tornando-a estranha às outras mulheres.[...]
Uma vez que a fonte do auto-ódio e a falta de verdadeiro ser tem origem na identidade que nos é dada pelos homens, devemos criar um novo sentido de ser. Enquanto nos agarrarmos à ideia de "ser uma mulher", sentiremos algum conflito com esse ser incipiente, esse sentido do eu, esse sentido da pessoa total. É muito difícil compreender e aceitar que ser "feminina" e ser uma pessoa no seu todo são irreconciliáveis. Apenas as mulheres podem dar umas às outras um novo sentido do ser. Essa identidade tem que ser desenvolvida tendo por referência nós e não os homens. Esta consciência é a força revolucionária a partir da qual tudo o resto sairá, porque a nossa revolução é orgânica. Para isto devemos apoiar e estar disponíveis umas para as outras, dar o nosso amor e compromisso, dar o suporte emocional necessário para manter este movimento.
As nossas energias devem fluir na direcção das nossas irmãs e não na direcção dos nossos opressores. Enquanto a libertação da mulheres tentar libertar as mulheres sem encarar a estrutura básica heterossexual que nos liga numa relação um para um com os nossos próprios opressores, energias tremendas continuarão a fluir na direcção de tentar endireitar cada relação particular com um dado homem, como conseguir ter melhor sexo, como fazer com que a cabeça dele se vire ao contrário - para tentar fazer um "homem novo" dele, na ilusão que isto nos permitirá ser uma "mulher nova". Isto obviamente divide as nossas energias e compromissos, deixando-nos incapazes de nos comprometer com a construção de novos padrões que nos libertarão.











É a primazia das mulheres a se relacionarem com outras mulheres, das mulheres a criarem uma nova consciência delas umas com as outras, que está no centro da libertação das mulheres, e que é a base para a revolução cultural. Juntas devemos encontrar, reforçar e validar os nossos seres autênticos. Quando o fazemos confirmamos umas com as outras o nosso sentido incipiente de orgulho e força, as barreiras de divisão começam a desaparecer, e sentimos este sentimento crescente de solidariedade com as nossas irmãs. Vemo-nos como princípio, encontramos os nossos centros dentro de nós. Vemos regredir o sentimento de alienação, de ser posta de parte, de estar por detrás de uma janela fechada, de ser incapaz de fazer sair o que nós sabemos que se encontra cá dentro. Sentimos uma autenticidade, sentimos finalmente que estamos de acordo connosco. Dentro desse ser real, com essa consciência, começamos uma revolução para acabar com a imposição de todas as identificações coercivas e para atingir o máximo de autonomia na expressão humana.

*Fufa: gíria portuguesa com sentido pejorativo ,seria o mesmo que sapatão,maria-macho,etc.

Coletivo Radical Lesbians,1970

Texto na íntegra no site do GIRL-Grupo de Intervenção e Reflexão sobre o Lesbianismo http://www.geocities.com/girl_ilga/entrada1.htm