segunda-feira, janeiro 01, 2007

A mulher e a filosofia

O reconhecimento social das mulheres como “seres pensantes” foi e continua sendo um desafio para o equilíbrio nas relações de gênero. Nos currículos escolares e universitários podemos perceber que pouco consta sobre as mulheres que se destacaram enquanto filósofas. Na maioria das vezes, falta uma referência acerca do conhecimento da vida e obras de pensadoras. Neste sentido, podemos constatar uma reduzida valorização das mulheres na vida acadêmica e sua participação na história da construção do conhecimento. Neste contexto, pretendemos realizar uma retomada da presença das mulheres na história da filosofia, com ênfase ao desprezo do corpo e à marginalidade da mulher.

Entretanto, apesar da discriminação das mulheres no campo filosófico, é possível perceber que, ao longo da história da filosofia, várias mulheres se destacaram como seres humanos que buscaram saber e conhecimento. No século XX há um destaque especial a algumas filósofas importantes. Dentre elas, encontram-se Hannah Arendt, Simone Weil, Edith Stein, Mari Zambrano e Rosa Luxemburgo. Estas mulheres, contrariando a ordem patriarcal de seu tempo, foram filósofas importantes e, sem dúvida, contribuíram decisivamente para a construção do conhecimento.


Aproveitando-nos de uma passagem de Pitágoras, o mesmo afirma que “existe um princípio bom que gerou a ordem, a luz e o homem; há um princípio mau que gerou o caos, as trevas e a mulher”

"Platão achava que as mulheres era tão capacitadas quanto os homens para governar. Isto porque os governantes deveriam dirigir a cidade-Estado com a razão. Platão acreditava que as mulheres tinham a mesma razão que os homens, bastando para isto que recebessem a mesma formação que os homens e fossem liberadas do serviço de casa e guarda das crianças. (e Platão queria abolir a vida familiar e a propriedade privada dos governantes do Estado e de seus sentinelas ).

Fundamentalmente, Aristóteles achava que faltava alguma coisa à mulher. Para ele, a mulher era um “homem incompleto”. Na reprodução, a mulher é passiva e receptora, enquanto o homem é ativo e produtivo. Por esta razão é que – segundo Aristóteles – o filho do casal herdava apenas as características do pai. Aristóteles acreditava que todas as características da criança já estavam presentes no sêmen do pai. Para ele, a mulher era apenas o solo que acolhia e fazia germinara semente que vinha do “semeador”, ou seja, do homem. Para colocarmos a coisa em termos verdadeiramente aristotélicos: o homem dá a “forma”; a mulher, a “substância”.
A visão distorcida que Aristóteles tinha da mulher surtiu efeitos particularmente danosos, pois foi ela, - e não a visão de Platão – que predominou durante a Idade Média. Desta forma. A Igreja herdou uma visão da mulher para a qual não há qualquer fundamento na Bíblia.

Para são Tomás de Aquino, a visão de Aristóteles estava de acordo com as palavras da Bíblia, seguindo as quais a mulher teria sido feita a partir das costelas de um homem.
Lembrando que o óvulo da mulher só foi descoberto em 1827. Para são Tomás de Aquino a mulher só era inferior ao homem enquanto ser natural. Para ele, a alma da mulher tinha o mesmo valor que a do homem. No céu existe a plena igualdade de direitos entre os sexos, pela simples razão que, abandonando o corpo, deixam de existir quaisquer diferenças entre os sexos.

Hegel: "a diferença entre um homem e uma mulher é a mesma que existe entre um animal e uma planta. O animal corresponde mais ao caráter do homem, a planta mais ao da mulher, pois o seu desenvolvimento é mais tranqüilo, já tem por princípio a unidade mais vaga do sentimento. Se as mulheres estão à frente do governo, o Estado está em perigo, pois elas não agem segundo as reivindicações do conjunto, mas segundo a inclinação e a opinião casuais A formação das mulheres ocorre, não se sabe ao certo como, por meio da atmosfera das idéias, por assim dizer: mais pela vida do que pela aquisição de conhecimentos. Os homens, ao contrário, só chegam à sua posição às custas de muito pensar e muitos esforços técnico.”

O fato de os homens na época de Hegel externarem enfaticamente seus julgamentos grosseiros sobre a inferioridade da mulher incentivou ainda mais o movimento das mulheres.
Os homens propuseram uma tese. O motivo para eles considerarem isto absolutamente necessário foi o fato de as mulheres já terem começado a se articular em sua defesa. Afinal, não é necessário ter uma opinião tão decidida sobre algo em torno do qual todos estão de acordo. Contudo, quanto mais grosseira era a discriminação dos homens em relação às mulheres, mais forte foi se tornando a antítese, ou a negação.
Podemos dizer, portanto, que os oponentes mais enérgicos são a melhor coisa que pode acontecer com uma idéia. Quanto mais enérgico melhor, pois tanto mais forte será a negação da negação.

Hildegard von Bingen foi uma freira que viveu entre 1098 e 1179 na Renânia. Apesar de ser mulher, ela fazia sermões, foi escritora, médica, botânica e pesquisadora natural. Talvez ela seja o exemplo mais evidente de que, na Idade Média, as mulheres freqüentemente eram mais práticas, e talvez mais científicas que os homens.

Havia uma antiga crença cristã e judaica segundo a qual Deus não era apenas homem. Ele teria também um lado feminino, ou uma “natureza materna”. Afinal, a mulher também tinha sido criada à Sua imagem e semelhança. Em grego, a palavra para este lado feminino de Deus é Sophia. “Sophia” ou “Sofia” significa “sabedoria”.
Entre os judeus, e também na igreja ortodoxa, “Sophia”, ou seja, a natureza materna de Deus, teve certa importância durante a Idade Média. No Ocidente, ela caiu no esquecimento
. Mas então apareceu Hildegard von Bingen. E ela contou que Sophia lhe apareceu em visões.




Simone de Beauvoir tentou aplicar o existencialismo à análise dos papéis sexuais. Sartre já havia dito que o homem não possui uma natureza eterna a que possa recorrer. Somos nós que criamos aquilo que somos.
O mesmo vale para a questão dos papéis sexuais. Simone de Beauvoir mostrou que não existe uma “natureza feminina” ou uma “natureza masculina” eternas, ao contrário do que o tradicionalmente reveza o senso comum. Sempre se afirmou, por exemplo, que a natureza do homem seria uma natureza “transcendente”, ou seja, algo que leva a ultrapassar fronteiras. Isto explicaria por que o homem sempre se sentiu impelido a buscar um sentido e um objetivo fora de casa. Da mulher, por outro lados sempre se disse que sua vida se orienta no sentido exatamente oposto. A natureza da mulher seria uma natureza “imanente”, o que significa que ela teria uma tendência a continuar no mesmo lugar que já se encontra. Conseqüentemente, à mulher caberia cuidar da família, do meio ambiente e das coisas à sua volta. Hoje em dia costuma-se dizer que as mulheres estão mais aptas a lidar com os chamados “valores suaves” do que os homens.
Seu segundo livro mais importante foi publicado em 1949: O segundo sexo. Ela estava pensando na mulher. Na nossa cultura, a mulher tinha sido transformada num “segundo sexo”. Só o homem aparecia como sujeito dessa cultura. A mulher, ao contrário. Fora transformada em objeto do homem. Dessa forma, lhe haviam tirado a responsabilidade por sua própria vida. Para Simone, a mulher precisa reconquistar essa responsabilidade. Ela precisa se reencontrar consigo mesma e não pode simplesmente aliar sua identidade à de seu marido. Isto porque não é só o homem que reprime a mulher, A própria mulher se reprime quando não assume a responsabilidade por sua própria vida."

Textos: O Mundo de Sofia - Romance da história da filosofia
Jostein Gaarder

4 comentários:

Anónimo disse...

fez um crtl+c ctrl+v no "mundo de sofia" ein...

Anónimo disse...

industrytest Take a piece of me

Lana Lin disse...

O livro da simone está na categoria de auto-ajuda na saraiva.com... Pode isso?

Unknown disse...

Mas existe diferença naturais entre o homem é a mulher? Para Hannah?