quarta-feira, janeiro 31, 2007

Quem definiu que Sexo = Penetração

Sociedade Patriarcal e Falocrática: O Pênis define nossos corpos e a sexualidade. Estabelece o que é sexo.


Sexo = penetração é um imperativo produzido por uma sociedade assentada na Família e na Reprodução. Uma sociedade heteronormativa.


(nem reprodução exige penetração biologicamente falando...o pênis é um auxiliar nesse serviço, anatomicamente construído pra estimular a vagina e aumentar a probabilidade de fecundação, mas o semem que cair perto da vagina já pode engravidar. Hoje em dia, então, com as tecnologias reprodutivas...).


Logo, sexo foi definido como penetração não só para atender as demandas da civilização assentada na propriedade privada e herança, mas também pra dar poder simbólico a uma ordem assentada na divindade do Falo.

O Patriarcado tornou a sexualidade em um instrumento político, e assim o corpo da mulher se tornou instrumental.

(Acima, gravura de LEONARDO DA VINCI)
O poder de 'entrar' foi sendo construído pra dar respaldo à essa ordem falocentrica.
No âmbito semiótico a resignificação/construção do falo foi definindo a própria natureza do homem de transcendente e da mulher como imanente. O homem entra, domina, invade territórios, conquista reinos, possui o corpo da Terra, das mulheres filhas da Terra, da sua mulher, e o escraviza.

Virgindade foi um conceito criado para controlar a sexualidade das mulheres. Um tipo de esfíncter protetor vestigial de tecido fino e poroso existente na vagina das mulheres, que em várias circunstâncias pode ter sua abertura ampliada e tal evento produzir vazamento de sangue indolor, foi peça-chave para fisicamente garantir tal domínio.

Logo, virgindade foi definida pela violação. Mulher ser violada e homem violar pela primeira vez. Tal violação como rito de iniciação da mulher na maturidade socialmente aceita, assim como em alguns lugares maturidade constitui infibulação do clitóris.

Vivemos assim, sob o estigma corporal da virgindade que nos torna corpos violáveis e define homens como violadores.

A virgindade não existe.
Senão, todos somos virgens à exceção das lésbicas e gays.

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