quinta-feira, fevereiro 01, 2007

PATRIARCADO DE SAIAS ou O Perigo do Pragmatismo Feminista




"A esta altura do sistema não é suficiente colocar mulheres ou pessoas do sexo feminino em espaços de poder.
Menos ainda pensar que elas vêm fazer uma limpeza no sistema como lamentavelmente tivemos que escutar, e mais de uma vez, de pessoas na rua[durante a época de eleições]. Essa frase pouco feliz mostra como seguem associadas entre si as idéias: mulher – dona de casa- limpeza.

É bom e necessário ver-nos refletidas, as mulheres, na política, na mídia, mas cuidado que isso não é tudo. Sem a consciência de opressão, continuarão se reproduzindo os erros patriarcais. De que serve ter uma Margarete Moraes como primeira presidenta mulher na Câmara de Vereadores de Porto Alegre, se suas atitudes e ações serão tão masculinistas como a dos próprios homens?

O sistema patriarcal tem seus próprios códigos, para acessar ao poder estabelecido, as mulheres tem que deixar suas bandeiras de lado – no caso de quem as tiver – para lutar de igual a igual em um sistema corrupto. Isso quer dizer – muitas vezes - votar contra os próprios interesses.


Não podemos sexualizar as eleições. O sexo da pessoa, acima de suas idéias, é tão discriminatório para um lado quanto para o outro. É outro recurso do sistema para logo dizer-nos: viram que as mulheres chegaram e não servem? Não precisamos “chegar” nesses termos, é suficiente ver a história. Condolezza Rice é um exemplo mais que evidente para demonstrar como sexo, raça e ideologia, não são sinônimos de revolução, tampouco o são os exemplos de Margaret Thacher ou de Yeda Crusius.
(...)
Eleições no Brasil, por Mariana Pessah

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