quinta-feira, março 01, 2007

As Lágrimas do Crocodilo

Soldado chora ao depor sobre estupro no Iraque

Um militar norte-americano submetido à corte marcial num quartel do Kentucky chorou na quarta-feira ao descrever como ele e seus colegas planejaram o estupro de uma menina iraquiana de 14 anos, assassinada junto com sua família. O sargento Paul Cortez, 24 anos, é o segundo soldado a confessar os crimes ocorridos em março de 2006 em Mahmudiya, ao sul de Bagdá.

Os soldados jogaram querosene no corpo da menina e atearam fogo na tentativa de ocultar o crime. Fardado, ladeado por seus advogados civis e militares, Cortez leu um texto descrevendo como ele e os soldados James Barker e Steven Green (já exonerado) planejaram o ataque. "Enquanto jogávamos baralho, Barker e Green começaram a falar de fazer sexo com uma iraquiana. Barker e Green já sabiam...", disse o soldado, que então começou a chorar.
De cabeça baixa, permaneceu um minuto em silêncio, fungando ocasionalmente. "Barker e Green já sabiam a qual casa eles queriam ir. Sabiam que só havia um homem na casa e sabiam que seria um alvo fácil", prosseguiu Cortez. Uma vez lá dentro, Green, suposto líder da ação, levou a mãe, o pai e a irmãzinha da menina para um quarto, enquanto Cortez e Barker apanhavam Abeer Qassim Al Janabi na sala, onde se revezaram violentando-a.
"Ela ficou se contorcendo, tentando manter as pernas fechadas e dizendo coisas em árabe", disse Cortez. "Durante o tempo em que eu e Barker ficamos estuprando Abeer, ouvi cinco ou seis tiros vindo do quarto. Depois que Barker acabou, Green saiu do quarto e disse que tinha matado todos eles, que todos estavam mortos. Green então se colocou entre as pernas de Abeer para estuprá-la", disse Cortez, ainda soluçando.
Cortez pode ser condenado à prisão perpétua pelo estupro e pelos quatro homicídios. As sentenças devem sair ainda na quarta ou na quinta-feira. Ao todo, cinco militares (sendo quatro da ativa) foram indiciados pelos crimes de Mahmudiya, que provocaram grande indignação e acirraram a tensão no Iraque. Barker se declarou culpado em novembro e foi condenado a 90 anos num presídio militar. Green foi dispensado do Exército por "distúrbio de personalidade" e aguarda julgamento civil numa prisão do Kentucky.


Reuters


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É gente, os verdadeiros agentes desse estupro são os homens do governo norte americano. O que está por trás do estupro é não eh só um ato de diversão inconsequente de homens q por serem homens nessa cultura legitima q eles precisem muito de 'carne fresca' pra saciar sua testosterona a qual a gente teria de arcar. Não é só isso. A violação é uma eficiente arma de repressão política. Uma arma de poder precisa. O estupro é arma de guerra, ele é feito visando despersonalizar a pessoa. Depois de um estupro, o self de alguém está destroçado, dificilmente terá vontade própria ou vontade de viver, ou se valorizará. O estupro silencia, submete, nulifica. O estupro, minhas amigas, é uma arma essencial da guerra, dificilmente os Patriarcas vão abrir mão dele. E sabemos que belicosidade é por onde a masculinidade se manifesta e se afirma. Dão-se tanques de guerra e outros tantos simulacros fálicos de forma compulsiva pra crianças. Forma-se o homem pra guerra. O menino faz uma escolha no seu amadurecimento: ou vai ser vítima ou ganha espaço na hierarquia dos homens. Estuprar é o passo inicial. O primeiro ato sexual do menino é guiado pelo pai, num prostíbulo. Ele é iniciado a uma sexualidade não recíproca, e na relação objetal com o outro. Ele não tem virgindade. Ele só tem o primeiro ato de penetração, num corpo destituído de significância, num corpo que é comercializado, num corpo e não num sujeito. Intercurso unilateral. A mulher deve ser despersonalizada pro homem sobreviver. E estamos na lei da selva da falocracia, ele vai querer safar seu couro, sobreviver, a lutar por qualquer coisa que se chame igualdade ou dignidade. Ou ele estupra, ou ele é estuprado.

Vivemos numa guerra. Nas guerras, o inimigo deve ser desumanizado. Seu espaço violado, penetrado, ocupado. Sua fonte de vida destruída, suas estruturas, suas crenças, valores, identidades, sentimentos, mentes, sua terra, seu corpo, suas vidas, seus filhos, tomados de si. Desumanização. Sem desumanização, sem negação de status humano ao outro, ao inimigo, ao alvo, a guerra não tem como acontecer. Guerra deve ser violação dos direitos humanos, pq só assim se desumaniza. Guerra só existe com violação e destruição do espaço íntimo substancial da pessoa mulher, pq é assim que se empoderam os homens.

Quem promove essa desumanização e despersonalização do povo islâmico é o governo dos estados unidos e sua guerra hipócrita contra o terror, que nada mais é que um terrorrismo organizado de estado.

sobre a visão de Catherine Mackinnon da guerra ao 'terror':

"...roughly the same number of women are murdered by men in the US each year as were killed in the Twin Towers (between 2,800 and 3,000). But those killings provoked no parallel war on terror.

So what does MacKinnon think should be done? She writes that violence against women "qualifies as a casus belli and a form of terrorism every bit as much as the events of September 11 do". Is she serious that violence against women should be treated as a war? "I think only because it's men doing it against women that it isn't seen as a war."
(...)
It only occurs to me when I'm back on the ground that the war on
terror may not be a good blueprint - it having been, you know,
demonstrably counterproductive. Just before the interview ended, she
said to me: "I have to say I have some sympathy for governments
trying to address something as hard as terrorism, having attempted to address something as hard as violence against women for a long time."
It would be good if MacKinnon had more success in her war than Bush
and Blair have had in theirs.
"

(tradução
"aproximadamente o mesmo número de mulheres são assassinadas por homens nos estados unidos a cada ano é o mesmo de mortos nas torres gêmeas. [em torno de 2.800 a 3.000). Mas essas mortes não provocaram nenhum paralelo de guerra ao terror.


Então o que Mackinnon pensa que deveria ser feito? Ela escreve que violência contra a mulher "qualifca um casus belli e uma forma de terrorismo tão ----quanto os eventos do 11 setembro". Ela é séria quando diz que violência contra as mulheres deveria ser tratada como uma guerra? "Eu penso que é somente porque é um homem fazendo isso contra uma mulher que isso não é visto como uma guerra"
(...)
Logo após a entrevista terminar, ela disse pra mim: "Eu tenho que dizer que eu tenho uma certa simpatia por governos que tentam combater algo tão duro como o terrorismo, tendo fracassado em combater algo ainda mais duro como violência contra a mulher há tanto tempo."

Seria bom se MacKinnon tivesse mais sucesso em sua guerra que Bush
e Blair têm tido na deles.
)

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