sábado, março 24, 2007

Say no to the Intercourse

´quando me relaciono com um cara agora , não sei quem ele é. Nunca sei, pode ser qualquer coisa. Isso é horrível...´ anonimo.
O intercourse é a própria repressão sexual quando, instaurada como norma, impede a realização das mulheres que negam a hegemonia do falo patriarcal...

eu pessoalmente curto penetração e acho que o aparelho genital é muito eficiente no coito intercursivo...o intercurso poderia ser experimentado como o máximo do prazer e da realização, a comunhão carnal de dois seres humanos, a estimulação recíproca e cúmulo da intimidade partilhada...mas o Patriarcado novamente estraga tudo. O pênis virou a própria incorporação da dominação. Os gestos sensuais foram impregnados da merda sadofetichista, a erotização da violência. O status quo do Falo leva a uma asfixia sexual insustentável. Na mulher se manifesta no luto da libido. Nos homens, a `impotência` (ou seja, vc não é potente, o que deveria ser: exercer o poder). O Falo é tão hegemônico que a mulher se tornou A Castrada. E essa suposta castração seria muito ampla, envolvendo aspectos diversos de sua vida. A mulher é uma impotente social, marginalizada da civilidade, por não possuir um falo. Só quem pode estuprar pode se impor e pode viver com alguma dignidade nessa selva dos animais Homens. O Homem que Tem, a mulher Não tem. Não tem o status homano. Não pode estuprar, não pode destruir, não pode matar, não pode aterrorizar. Emfim, ela não é um Homem. É uma mulher. Um homem amputado. Assim se amputou a mulher. Assim se calou. Mas seu silêncio pode ser muito mais do que resignação. Seu silêncio é o luto. Porque protesta contra a força da morte. Resguarda a memória da Vida.

Sendo o falo a própria representação do Horror desse mundo de Homens, o intercurso como castigo e veículo de dominação, o intercurso apropriado como arma política, falo como recurso bélico, a repressão sexual que corrói as mulheres é evidente: não há satisfação possível quando o intercurso só pode representar dor, desconforto, vergonha, humilhação, culpa, medo, desonra, indignidade. As mulheres heterossexuadas nessa dinâmica cultural da falonorma não estarão em pé de igualdade no desfruto do prazer no coito com um Homem...que é justamente seu inimigo. Ou parte exército do Inimigo. Ou é inimigo em si, ou é uma bucha de canhão da Falocracia. Nunca terá plena satisfação enquanto sexo significar um pertence do inimigo concedido ou forçado. O Prazer é dos homens, o prazer é emprestado. O prazer não é da mulher, o gozo é estimulação do homem. Quem come é o homem, a mulher ´dá´.

Um núcleo de resistência vem sendo o não-intercurso. No caso, a lesbianidade. A relação HOMO, homo= igual, uma relação entre iguais, com principio de igualdade, condições corpóreas e sociais iguais, o amor para a união, força e apoio. A lesbianidade vem sendo uma estratégia política fundamental dentro do feminismo pra derrubar a força do Falo e curar as chagas da opressão em nossos corpos. Um espaço onde o Homem não entra, não pertence, Não existe. Um espaço livre das hierarquias, um campo experimental de revolução e de construção de um novo mundo para nós mulheres. Um espaço onde o feminino é regra, estética, filosofia.

Assim retomamos o prazer para nós, porque sem exercicio da sexualidade, a insatisfação, serve pra direcionar a libido pro Capital e nos tornar morimbundos e obedientes. Assim a negação do prazer da mulher vem agindo, mas estamos assaltando o que é nosso. E em pleno gozo de liberdade e volúpia da revolução, derrotaremos o câncer do Patriarcado no corpo da Mãe Terra.

2 comentários:

Crow Bite disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Crow Bite disse...

belíssimo...

mas, infelizmente, nesse espaço o homem existe, sim. ignorá-lo é fingir ignorar o inimigo na zona de perigo. ele está aqui. entre nós. dentro de nós. você se livrará dele se fingir que não o vê?

it's you... all over my skin... takin invisible streets... to the fake place where we win...
(Bikini Kill. Strawberry Julius, The Singles, 1998)