quinta-feira, março 01, 2007

ser lésbica é o suficiente pra ser libertária?

“Sermos mulheres juntas não era suficiente.
Nós éramos diferentes.
Sermos garotas lésbicas juntas não era suficiente.
Nós éramos diferentes.
Sermos negras juntas não era suficiente.
Nós éramos diferentes.
Sermos mulheres negras juntas não era suficiente
Nós éramos diferentes.
Sermos lésbicas negras juntas não era suficiente
Nós éramos diferentes.

Demorou algum tempo até percebermos que nosso lugar era a casa da diferença ela mesma, ao invés da segurança de qualquer diferença em particular”


-audre lorde







LA VIOLÊNCIA ENTRE LESBIANAS...




Sufoquei, não deixei você sair sem mim
Vigiei só para garantir,
Infernizei, controlei cada segundo
Liguei só pra verificar

Te cerquei, coloquei escuta, grampiei o telefone
Afastei amigos
Ameacei violência apaguei o seu passado
Odiei não estar lá

Mas amei você...pode agradecer

Quebrei presentes sabe-se lá de quem
Rasguei fotos sei muito bem de quem
Queimei cartas que não escrevi,
Não deixei, proibi, não permiti
Roupas, gestos, sorrisos que não consenti
Evitei que seu brilho ofuscasse o meu


Mas amei você...pode agradecer

Chantagiei e até chorei
Pena e medo sempre boas coleiras
Enrolei, explorei e até chifrei
Pequenas besteiras...

Te marquei feito um gado, fui seu dono
E tranquei, castiguei, vampirizei
Fiquei puto por não conseguir controlar seu pensamento

Mas amei você...pode agradecer

Jay Vaquer


(retirado de um blog dyke)


Questionario:vc está em um relacionamento abusivo?


Questionário de violência doméstica para lésbicas

From Kathy Belge,



Para mulheres em um relacionamento com outra mulher, a questão do abuso ou violencia domestica pode ser um assunto complicado. Nossa sociedade ensina que violência doméstica ocorre apenas entre homens e mulheres. Mas abuso pode e de fato ocorre em todos tipos de relacionamento, incluindo lesbianos, gays e transgender.

Abuso não é só físico. Se ela bate em você ou a chuta, então você sabe que isso é abuso. Violência doméstica também inclui abuso psicológico, abuso emocional, abuso sexual, assédio, abuso financeiro e abuso social.

É seu relacionamento abusivo?

Lésbicas, tomem esse questionario de violencia doméstica para determinar o quanto sua parceira é abusiva com você.


1. Sua parceira ameaça de se machucar a si mesma ou seus bichos de estimação se você a deixar?

2. Ela ameaça revelar você (orientação sexual) para familiares e amigos de trabalho?


3. Ela já te impediu de ver amigos ou membros da família?

4. Ela monitorou suas chamadas de telefone ou mensagens ou lê seus emails e correspondências?

5. Ela humilhou você em frente a amigxs ou colegas?

6. Ela já te machucou, socou, estapeou, empurrou, mordeu ou chutou você?

7. Ela forçou você a ter sexo com ela quando você não queria?

8. Ela quebrou suas coisas ou machucou seus bichos?

9. Ela já te ameaçou com uma arma?

10. Ela já fez você ter sexo com alguém que você não queria?

11. Ela já seguiu você até ou do seu trabalho ou quando você saiu?

12. Ela já tomou seu dinheiro ou ameaçou de tirar suporte financeiro se você não fizesse o que ela queria?


Se você respondeu sim a qualquer uma dessas questões, você deve ser vítima de violência doméstica.







"Você sabia que...

mulheres podem ser estupradas por outras mulheres?

mulheres podem ser assaltadas sexualmente por outras mulheres?

violência acontece em um em cada quatro relacionamentos lésbicos?

violência doméstica lésbica muitas vezes inclui estupro?

estupro lésbico é quase sempre não reportado?"http://lesbianlife.about.com/od/lesbianhealth/a/DVFactsMyths_2.htm






Apesar de existir em cerca de 30% dos relacionamentos algum tipo de violência, esta não é um elemento natural da comunidade gay. Não é como colocam, como algo inerente aos relacionamentos humanos. Não, ainda é um derivado cultural da instituição heterosexualista, são os elementos relacionais construidos pelas instituições heterosexuais penetrando as formas relacionais alternativas a cartilha ht da violencia, que é a aposta homo original.

Rola um preconceito de carater facista a afirmação de violência entre gays e na comunidade gay. Uma coisa, claro, isuflada de todas formas pelos heterosexuais, esperada com todos os ânimos, pra confirmar a invalidade de formas de organizações afetivas diferentes da deles.

Mais do que a assimilação de elementos patriarcais, se deve a própria invisibilidade, recalque e opressão que gays e lésbicas sofrem diretamente. É pra onde são empurradxs. Pra clandestinidade, pra violência, pro não falar, pra frustração, que se manifesta em discórdia, semeada de forma incessante. A discriminação, o anonimato afetivo, a castração, a limitação, constrangimento, cerceamento, assédio moral no trabalho, bulling, e tantas outras coisas que gays e lésbicas sofrem...é tanta violência que recebem que não creio que acabasse gerando uma reação na direção errada. Vejo a violência entre gays como uma autoviolência acima de tudo, uma autodestruição, um processo de autosabotagem e sabotagem de sua própria vida, o ódio societal que internalizam e jogam contra si e o que os representa e o que são, o auto ódio, a culpa, o ressentimento, o esgotamento psiquico, a desistencia.

Silenciamento, clandestinidade, marginalização são decisivos na geração desse quadro de violência. A carência de referenciais de comportamento, o empurrar da comunidade gay pra políticas de identidade mercantilistas e que aliam sexo e violência e sexo e consumo, não podem mesmo desenvolver modelos saudáveis e ideais de comportamento.


Vivendo numa sociedade permeada de violência, e vivendo uma não-existencia no caso de lesbianas ou como a sujeira social no caso de gays, a fala recalcada, o envenenamento interior é inevitável. A carência de modelos diferentes dos que foram relegados, a necessidade de se inserir nos modelos heterosexuais aprovados de comportamento (ex: monogamia, instituição chave, permeada por violência, escravidão e possessividade de sensciências, base da objetificação e mercantilização das vidas, do uso. fundada no que diferencia e não no que aproxima duas pessoas. a carência afetiva, a induçao drástica da dependencia emocional que gera, a frustração sexual, o sufocamento físico que provoca...) e a não adaptação nestes, e principalmente a não discussão de suas vidas na esfera pública, a privatização dos anseios e dúvidas, tal como feito com as mulheres, o ocultamento a adversidade que representamos, a falta de informação, a falta de designação dos eventos e experiencias, a falta de troca, a falta de diálogo, a falta de referencias...coisas que contribuem pra endossar o quadro de violência, sintoma da discórdia natural do heterosexualismo, promovida por este nas formas alternativas de organização social, sexual, pessoal e afetiva, no claro objetico de desmantelar e neutralizar suas forças subversivas. Coptação.

Violência não é da nossa natureza. Violência entre gays é sintoma da homofobia de que somos alvo.

Negue os moldes heteros de relação! Rejeite o amor que eles definiram e construiram!
Não precisamos entrar no mundo deles! Vamos construir nosso próprio mundo, nossos referenciais, paradigmas, práticas. Um outro mundo é possível e pode começar agora.

´O amor precisa ser reinventado´
- Rimbaud


Rimbaud acreditava que um outro mundo era possível e era todo um projeto novo, mas por acaso ele não fora votado à vida enrustida e não viveu numa sociedade que de certa forma o condenou a isso? Verlaine também foi julgado por sodomia e sua vida arruinada tanto por isso quanto pelo alcoolismo.

A sociedade permite algo diferente a gays? Não acho que dá pra avaliar a violência entre gays da mesma forma como a de casais heteros, ainda acho gay uma aposta revolucionária, acho interessante como casos de violência entre lésbicas por exemplo ganham mais repercurssão do que entre heteros que de certa forma, dada a sociedade pratriarcal, se torna um tipo de lei. Mulheres não estão seguras com homens numa sociedade patriarcal falo dos vários níveis de violência, partindo aí até o do simbolico que é de alienação de sua identidade (por exemplo, é sinal de resistencia quando negros optam por viver com negros, casar-se com negros, mostra uma valorização de seu grupo social e um fortalecimento, uma união. Mulheres não tem essa visão).


Violência entre gays tem um risco até maior, dada a invisibilidade, a carencia de orgãos de denuncia e afins. Sim, ela deve ser denunciada e amplamente combatida, mas aí remeto a uma reflexão quanto a estratégias de combate.A violência tem haver com sociedade patriarcal, com modelo patriarcal, com a sociedade em que vivemos e seus parâmetros ela é consequencia de modelos normatizados e não obra de mentes psicóticas, produto de comportamentos normais, mas encontrando sua expressaõ na projeção maior dos males menores, o fundamento é o mesmo.


Agora gay é preciso a abordagem da questão histórica de invisibilidade, coerção e silenciamento desse grupo. É preciso reconhecer isso pra que possamos agir no sentido de que, pra que coloquemos fim à violência dentro do nosso projeto de sociedade (não heteronormativista, não heterosexista ou emfim não hetero e talvez pró sexualida legitimamente determinada por nós, soberania sexual) que não passa de elementos estranhos que penetram afim de sabotá-la, é preciso que intensifiquemos a direção de nossa luta, da nossa união, nossa ofensiva e investidas pelo fim da supremacia hetero-masculina que gera todo estado consequente de sociedade assentada em guerra e destruição, imperialismo e estupro tático aplicado nas várias esferas derivadas.
A violência homo está ligada essencialmente à invisibilidade. NENHUMA LÉSBICA OU GAY PODE SUBTRAIR-SE DE SE POSICIONAR, a identidade gay e lésbica é indissociavel da identidade de luta. É inegável, histórico, gays e lésbicas que compreendem que homossexualidade/lesbianidade é uma questão de com quem você dorme ou privada, sem conotação política, primeiro: está se autoenganando porque a situação exige isso necessariamente, segundo porque sempre foi e sempre será uma inevitavel e necessaria afronta ao sistema estabelecido, somos a exata medida da oposição desse regime. O gay e lesbica que se nega a envolver na luta só sofre, só leva violência pra dentro de si, joga toda violencia contra si e reproduzirá isso pra seus companheiros.

O que falta a gays é essa consciencia de luta. Ser gay e lésbica é ser a resistencia e oposição. O PESSOAL É POLÍTICO
Foram várias as investidas pra destruição do elemento mais subversivo a ordem patriacal-capitalista, aquele que se encontra no atentado a suas raizes fundamentais. Não é por acaso o heterofacismo e intolerancia, é uma arma de manutenção do regime estabelecido excluindo seus elementos divergentes. Higienismo de sempre. Separar a identidade gay de política faz parte de umas dessas investidas.



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