segunda-feira, março 26, 2007

Trecho de O Feminismo: abordagem histórica

O Feminismo: uma abordagem histórica – Andrée Michel

Cap 6 - MOVIMENTOS FEMINISTAS

E A CONSDIÇÃO DAS MULHERES NO SÉCULO XX

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No começo do século XX, inúmeros temas desenvolvidos desde a Idade Média, implantaram-se na consciência feminista ocidental:

- A idéia, expressa na França no século XIV (Christine de Pisan) e na Inglaterra nos séculos XVII (Marie Astell) e XVII (Mary Woolstonecraft), de que as diferenças entre homens e mulheres provém não da natureza, mas da educação diferente concedida aos dois sexos, e de que o acesso às meninas à instrução deve prepará-las para assumir todos os papeia proibidos pela sociedade.

- O protesto contra a “morte civil” da mulher na família e sua exclusão das funções econômicas e políticas no século XVI na França (Loise Gabbé e Marie de Gournay), no século XVII na Holanda com Anna Marie Van Schurman e na Inglaterra com a duquesa de Newcastle, no século XVIII na França, antes e durante a Revolução, pelas mulheres das classes abastadas dos meios populares e no século XIX pela maioria das feministas do Ocidente.

- A recusa da dupla moral sexual no século XVII pelas inglesas (Mary Tattle e Joan Hit-Him-Home) e no século XIX pelas saint-simonianas e pelas feministas do ICW (Internacional Council of Women)

- A idéia da inglesa Anna Wheeler e da norte-americana Margaret Fuller de que a libertação das mulheres só podia ser realizada pelas próprias mulheres.

- O direito da mulher ao prazer fora do casamento, reivindicando no século XIX por Clarie Demar e pelas saint-simonianas.

- A idéias das francesas do começo do século XIX (Flora Tristan, Jeanne Deroin e suas amigas) segundo a qual a libertação das mulheres é inseparável da libertação de todos os trabalhadores. 67

- A ligação estabelecida nas Associações filantrópicas e religiosas no começo do século XIX e nas associações feministas do final do século XIX entre as lutas em prol das mulheres e as lutas pela paz.

- A crença das mulheres revolucionárias enunciadas por André Leo (em 1870) de que o fracasso da democracia existe “porque os democratas nunca levaram em consideração as mulheres.” (grifo meu)

- A necessidade das mulheres ampliarem suas lutas e nelas incluírem as necessidades de toda sociedade, idéia formulada por Jane Addams e pelas feministas do ICW.

Essas idéias articularam-se com práticas inovadoras, resistências e revoltas de inúmeras rainhas, princesas, burguesas plebéias, camponesas, operárias, escritoras, artistas, cientistas que, através dos séculos, superaram graças a uma excepcional tenacidade, as temíveis barreiras , colocadas a seu sexo para impor-se na vida política, econômica, militar, religiosas, artística ou científica. Um silêncio total cerca essa história das mulheres em que práticas inovadoras às vezes precediam, às vezes seguiam as idéias expressas. Essa continua sendo a regra das lutas das feministas no Ocidente do começo do século XX até os dias atuais. Ainda hoje, quando o silêncio é quebrado pela grande imprensa, seja de direita ou esquerda, pelos meios de comunicação de massa, as feministas freqûentemente só têm direito a injúrias ou a uma caricatura grosseira de suas idéias e práticas. Ou então hipócritas advertências, feitas por pretensos feministas, mascaram mal o desprezo às mulheres e o secreto desejo de mantê-las submissas.

1 comentário:

Anónimo disse...

Concordo plenamente com o artigo , a mlher ,foi ao lngo dos seculos e ainda é uma utilidade para alguns homens ...sendo essas mlheres não valorizadas por isso ...
Eu tenho 13 anos e estou a fazer um trabalho sobre o estatuto da mulher ao longo dos séculos.