terça-feira, abril 17, 2007

Prostituição: a falácia patriarcal do direito de escolha

A prostituição foi o primeiro Capital.
O Capital compreende o uso do potencial de trabalho do corpo do trabalhador.

"Meu corpo, portanto, está do lado do sujeito que sou, mas ao mesmo tempo, enreda-me no mundo das coisas. Meu corpo abre-me para o mundo, ou ainda melhor, abre-me em direção ao mundo, e constitui meu ponto de vista dele. Mantém o espetáculo prmanentemente vivo, animando-o e nutrindo-o. Ao desintegrar-se meu corpo, também meu mundo cai em pedaço,e o inteiro desfazer-se de meu corpo significa um rompimento com o mundo e igualmente a morte, o fim de meu ser como ser-consciente-no-mundo(...) Refletindo sobre o corpo humano, pois, encontramos o sujeito, que está mergulhado no corpo e por ele está envolvido no mundo. Achamos o mundo que, como um todo significativo, se prende ao corpo, o qual, enquanto humano, indica o sujeito. Eis o humano como existência" W. Luijpen, introdução a fenomenologia existencial.


"Há pois, um outro sujeito por baixo de mim, para quem um mundo existe antes que eu seja aí e que nele marcava meu lugar. Esse espírito cativo ou natural é meu corpo, não o corpo momentâneo que é instrumento das minhas escolhas pessoais, fixando-se sobre est
e ou aquele mundo, mas os sistemas de funções anônimas que envolvem toda fixação particular num projeto geral."
(idem)


"O corpo é uma situação no mundo e um ponto de vista sobre o mundo" (Beauv
oir). O corpo é meu instrumento essencial de relação com o mundo, e o modo como nele interfiro.

Produção de instrumentos, eis a habilidade principal do humano. Cria instrumentos, extensões artificiais do corpo, para melhor se relacionar com a natureza e dela obter seu sustento.

O trabalhador é privado de seus meios de vida, aquilo que a natureza se oferece a todos, é privatizado nas mãos de um só sujeito. A propriedade é um roubo. O que lhe resta, como sempre, o mais inalienável [embora sabemos que é privatizado também] e primeiro elemento de suas posses pessoais. O trabalhador vende seu corpo pro burguês, esgota seu eu-corpo da produção.

Trabalho é prostituição.

A "trabalh
adora"´ primeira é a burguesa, igualmente proletarizada, primeira proletária do mundo. Tudo que lhe resta, como mulher, é a prole. A capacidade capital de seu corp de reprodução do capital do patriarca. O Patriarcado forma um exército de reserva de mulheres, de putas, que implorem uma vaga no seu harém/comcubinato pessoal ou em sociedade com outros homens, implorando para poderem sobreviver. O Patriarcado forma uma piscina de corpos de mulheres e aproveita isso pra gerar dinheiro e privilégios para si e seus sócios homens da economia gobal. Assim é com a prostituição das proletárias dos proletários também, parte do bordel Patriarcal, são usadas nas linhas de produção escravas e também postas à venda para sustentação da supremacia máscula. Todos homens podem foder uma puta. Todos homens podem foder alguém. Isso os diferencia da sublasse mulher. Sexo forçado, seja pelo dinheiro, pela fome, pela imposição do pênis ou da sub-missão. Só se existe sob um outro. O nível mais baixo dos pilares de sustentação do sistema é a mulher, a nutriz forçada do Pai-Capital.

O ato de pagar é o ato de poder, subpoder democrático, todos podem ser tiranos. Principalmente entre quatro paredes, espaço onde não há lei, espaço da impunidade. Diferentemente do que se diz, que prostituição é fonte de empoderamento das mulheres, ela é fonte de empoderamento dos homens. Diz-se o contrário disto porque o poder migalhas que resta às mulheres pra se inserirem no mundo do poder monopolizado pelos homens é quando se submete a um homem. As que não se submetem não tem o mínimo de poder. Afirmar a prostituição como destino e poder feminino é afirmar que a mulher somente é por mediação do homem, nunca diretamente sobre si, porque não é independente e nem pode ser.

A suposta revolução sexual e crescente liberação e avanço do capitalismo democrático liberal apenas agravou o problema da prostituição. Legaliza-se a tirania do desejo...

...A ode ao individualismo e seu posto absoluto dentre os valores dessa sociedade coloca que o importante é a satisfação pessoal, não importando os meios.

É essa a grande liberdade [neo]liberal. A liberdade de gozar(sobr alguém). É o prêmio de consolação
dos oprimidos, da servidão [in]voluntária do direito de escolha democratico salarial, a compensação psíquica e descarregamento da libido reprimida. Claro que desse direito só se beneficiam os homens.

Liberdad
e de expressão/opressão, lesse faire, lesse passe, deixe a vida me levar, viva a diversidade, cada um na sua, não tenho nada com o que você faz dentre quatro paredes, lá é seu reino pessoal, o reino do terror do pivado. Sacro privado, espaço inviolável dos patriarcados simulacros espaço secreto, dirty little secret, espaço do crime, espaço impassivel de leis, espaço do brincar de ser tirano, seus 15s de fama de fodedor, reino da fantasia que sangra. Viva a diversidade, tranque-a no quarto e seja feliz, impassível de punição. Dinheiro é libertador, submetedor, compensador, farsa. Dinheiro te nomeia, te dirige, te comanda, te explora, te usa. Dinheiro te compensa, te satisfaz. Meu corpo tem um preço. Meu corpo é mercadoria produzida pelo dinheiro. E daí me da prazer. Reino de masoquistas. Meu corpo não é nada, minha subjetividade cobra juros. Dinheiro é a própria encarnação da guerra. É o deus da guerra.

Prostituição. Um negócio. Nas mãos dp Patriarcado. Feita entre sujeitos livres, acordo comum, consenso sexual. Vamos administrar a violência, ambas partes vão se beneficiar, pois é o reino da felicidade democrática consensual.

Não. As prostitutas são criadas pelo Patriarcado, suas políticas de cercamento dos campos da liberdade, o êxodo diáspora e desterro dos indivíduos. Única coisa que lhes resta é submeter-se, como força de trabalho de parto, se entregar por um preço, por um pedaço de pão ou um teto pra ser acolhida, às mãos dos homens, dos predadores tão bravos do topo da cadeira alimentar a eles predestinada pela biologia, diz eles....

...Ou por Deus-Pau-Todo-Poderoso criador do fel e da merda.


Aí vem o Patriarcado e diz: baby, vamos negociar. Negociando é tudo lindo. Te enfio meu pau na tua goela e você pode viver enquanto der. Justo não? Consensual não? O Dinheiro é consensual.

Normal não? As mulheres não são pra isso mesmo? Ah, ela é dona de seu corpo. Ela gosta. Nem significa mais nada, tornou-se rotina, mecânico. É um negócio pra ela, como outro qualquer. É uma mercadoria como qualquer outra. Ela deve estar acostumada. Ela escolheu. Ela é vagabunda, não quer ´trabalhar´. Ela merece. Pelo que é.

Profissão? Profissional? Abuso profissional? Dizer que é um trabalho digno é conferir um estatuto último de normalidade. A exploração da mulher toma estatuto legal, o direito de foder a vida de alguém dos cafetões homens é protegido então por lei, como sacrossanto direito.Legalizar é normalizar o que é patológico.
Dizem, a mulher é dona de seu corpo, mas como se nosso corpo não nos pertence?

QUEM ESTARÁ SENDO DESCRIMINALIZADO COM A LEGALIZAÇÃO? As prostitutas ou os cafetões? prostituição é crime, mas não da prostituta. É o crime máximo do Patriarcado, cafetão mor, contra todas as mulheres. Crime cuja sentença é a mulher que tem que pagar.

É tornar estanque, cristalizar, o que é produto histórico da violência e opressão. É a apologia e proteção do crime, e seu encorajamento. É decretar como destino da mulher. É ser conivente, é aceitar.


a falácia da escolha.

- como falar em escolha se são ELES que dão as opções?
- como falar em escolha se são ELES que nos treinam desde cedo para sermos putas dóceis e subservientes, tudo que compreende o ser puta: ser servil, disponível sexualmente, objeto, condecedente, feminina/domesticada, boa mercadoria?
- o discurso da escolha serve pra jogar pra cima do indivíduo vítima de suas circunstâncias a responsab
ilidade pela miséria que uma força alheia lhe obrigou a viver.


Prostituição, essencia do Patriarcado, abolir a prostituição será a derrocada última do Patriarcado.

reportagem sobre prostituição e turismo sexual, clique aqui.

4 comentários:

Camila disse...

Muito nom o texto :D
Me lembrou agora a questão da reforma e revolução.
Se for ver numa óptica restrita, é melhor legalizar a prostituição, assim as prostitutas poderiam ter seus direitos trabalhistas garantidos legalmente, teria uma maior fiscalização do Estado diante desse trabalho. Mas todo trabalho é um estupro, é uma apropriação da nossa vida, dos nossos movimentos, intelectualidade, do que nós somos.
A prostituição abre outro espaço de crítica pela visão moralista que a sociedade tem da sexualidade.
Se sexo não fosse uma coisa tão "pecaminosa", "sagrada", um tabu, ela seria bem mais "livre" para ser abusada no sistema.
Não sei qual é o pior, a inserção dela na sociedade ou a abominação/medo.

Fay disse...

Quero agradecer a visita e comentarios no meu blog.
Por isso digo viva a divesidade e as trocas de vivência....
Ainda bem que temos 5 dedos na mão e nem é igual! "open mind"
É muito bom conhecer todos universos dentro desta diversidade!
Abs,Butch®

Anónimo disse...

vendorsjuly Take a piece of me

Bia disse...

Texto perfeito, quem dera todos pensassem dessa forma para acabar com esse tipo de violência. Prostituição é praticamente estupro consentido, lamento pelas mulheres que não podem sair dessa vida.