domingo, junho 17, 2007

Gênero, um conceito reacionário?

"O argumento final aqui desenvolvido em favor das idéias até agora defendidas girará em torno da recusa do uso exclusivo do conceito de gênero. Por que este conceito teve ampla, pro­funda e rápida penetração não apenas no pensamento acadê­mico, mas também no das(os) militantes feministas e, ainda, em organismos internacionais? Efetivamente, o Banco Mun­dial só concede verbas a projetos que apresentem recorte de gênero. Residiria a resposta tão-somente na necessidade per­cebida de alterar as relações sociais desiguais entre homens e mulheres? Mas o conceito de patriarcado já não revelava este fenômeno, muito antes de o conceito de gênero ser cunhado? Não estaria a rápida difusão deste conceito vinculada ao fato de ele ser infinitamente mais palatável que o de patriarcado e, por conseguinte, poder ser considerado neutro? Estas pergun­tas apontam para uma resposta: o conceito de gênero, ao con­trário do que afirmaram muitas(os), é mais ideológico do que o de patriarcado. Neutro, não existe nada em sociedade. (...) O patriarcado refere-se a milênios da história mais próxima, nos quais se implantou uma hierarquia entre homens e mulheres, com primazia masculina. Tratar esta realidade em termos exclusivamente do conceito de gênero distrai a atenção do poder do patriarca, em especial como homem/marido, "neutralizando" a exploração-dominação masculina. Neste sentido, e contrariamente ao que afirma a maioria das( os) teóricas(os), o conceito de gênero carrega uma dose apreciável de ideologia. E qual é esta ideologia? Exatamente a patriarcal, forjada especialmente para dar cobertura a uma estrutura de poder que situa as mulheres muito abaixo dos homen sem todas as áreas da convivência humana. É a esta estrutura de poder, e não apenas à ideologia que a acoberta, que o conceito de patriarcado diz respeito. Desta sorte, trata-se de conceito crescentemente preciso, que prescinde das numerosas confusões de que tem sido alvo."
A máquina do patriarcado


(...) Certamente, todas as feministas que diagnosticaram a dominação patriarcal nas sociedades contemporâneas sabiam, não que os conceitos genéticos de Weber são intransferíveis, mas que já não se tratava de comunidades nas quais o poder político estivesse organizado independentemente do Estado. Por que, então, não usar a expressão dominação masculina, como o tem feito Bourdieu, ou falocracia ou, ainda, androcentrismo, falo-logo-centrismo? Provavelmente, por numerosas razões, entre as quais cabe mencionar: este conceito reformulado de patriarcado exprime, de uma só vez, o que é expresso nos termos logo acima sugeridos, além de trazer estampada de forma muito clara a força da instituição, ou seja, de uma máquina bem azeitada, que opera sem cessar e, abrindo mão de muito rigor, quase automaticamente(...) (...)Tão-somente recorrendo ao bom senso, presume-se que nenhum(a) estudioso(a) sério(a) consideraria igual o patriarcado reinante na Atenas clássica ou na Roma antiga ao que vige nas sociedades urbano-industriais do Ocidente. Mesmo tomando só o momento atual, o poder de fogo do patriarcado vigente entre os povos africanos e/ou muçulmanos é extremamente grande no que tange à subordinação das mulheres aos homens. Observam-se, por conseguinte, diferenças de grau no domínio exercido por homens sobre mulheres. A natureza do fenômeno, entretanto, é a mesma. Apresenta a legitimidade que lhe atribui sua naturalização (..) nomear envolve tornar visível o que era invisível, definir como inaceitável o que era aceitável e insistir que o que era naturalizado é problemático" (1997). Subseqüentemente, o processo de teorização expressou a necessidade de se elaborar referenciais explicativos para a opressão feminina. Por fim, e como decorrência desse processo, a própria ciência ocidental, e seus pressupostos de racionalidade, objetividade e imparcialidade, foram postas em causa: as mulheres assumem-se enquanto sujeitos de conhecimento e enquanto sujeitos políticos que lutam para transformar uma situação de opressão/subordinação. Saffioti - Gênero, Patriarcado e Violência Conceituando Gênero e Patriarcado Feministas e intelectuais que discutem as questões relativas às relações entre homens e mulheres em qualquer esfera da vida social, deparam-se com o problema de usar o conceito de gênero ou o de patriarcado, ou ainda, concomitantemente, gênero e patriarcado. O objetivo deste artigo é apresentar, de forma superficial, algumas discussões e implicações do uso desses termos na literatura feminista, defendendo o uso simultâneo de gênero e patriarcado como o mais adequado para explicar as relações entre homens e mulheres na atualidade.

(CONCEITUANDO GÊNERO E PATRIARCADO, Terezinha Richartz)


Psychological patriarchy is the dynamic between those qualities deemed "masculine" and "feminine" in which half of our human­ traits are exalted while the other half is deval­ued. Both men and women participate in this tortured value system. Psychological patriarchy is a "dance of contempt," a perverse form of con­nection that replaces true intimacy with com­plex, covert layers of dominance and submission, collusion and manipulation. It is the unac­knowledged paradigm of relationships that has suffused Western civilization generation after generation, deforming both sexes, and destroy­ing the passionate bond between them."


(Terrence Real, cit. Understanding Patriarchy by bell hooks)


Quem é responsavel por nós?
"Eu tenho essa impressão de que a ideologia do genero em geral existe para relocar o onus da responsabilidade em cima da pessoa. É a resposta natural ao absolutismo faça-voce-mesm* individualesco que designa o meu campo pessoal como espetaculo, nos desprendendo de qualquer contexto social.

ELES FUNCIONAM NA TENTIVA DE NOS DESESTABILIZAR PARA IMPOR O FREE MARKET DELES. LANÇAM UMA CRISE DE CONFIÂNCIA, NOS OBRIGAM à DUVIDA, DIZEM QUE TUDO É MENSAGEM, SOMOS UM ESPETACULO, NAO SOMOS HUMANOS.
AI NOS DIVIDEM EM PEDACINHOS PARA NOS DEVORAR JUNTO COM QUALQUER SENSO DE REALIDADE QUE RESTOU. PARA Q NAO PRESTEMOS ATENCAO A TUDO QUE ACONTECE EM NOSSA VOLTA


Gênero não é performance, é oportunidade
é estrategia."
(fernando)

MANIFESTO ANTI-GENERISTA

ESTUDOS DE GÊNERO: parece nome de doença. Falam GÊNERO pra não falar FEMINISTA, porque feminismo virou palavrão. Falam gênero pra ocultar o Patriarcado, já que falar em Patriarcado virou demodê , é ingênuo sonhar com revolução e o que tá em voga é estudos pós modernos e Fucô. Querem inocentar a supremacia masculina pelos seus crimes. E alegam demagogicamente que tudo é complexo, que a realidade é multipla, párem de culpar o Patriarcado, porno é libertário, a história já acabou, só nos resta a masturbarção mental e discutir o gênero dos anjos. Quantos artigos já escreveu? Quais as referencias desse livro? Vc já leu não sei o que? Então você não tem direito à voz. Essa prolixidade enfadonha, mímica da forma do discurso dos homem falando o óbvio que toda feminista já sabia faz tempo: que gênero não é natural, Oh, não sabia. Obrigado por me dizer isso Em sua língua estranha. Como se bastasse saber disso pra poder mudar esse sistema socio-econômico-político que é o PATRIARCADO-RACISMO-CAPITALISMO. Abaixo o generismo! Abaixo o academicício demente que vota o movimento à imanência politicamente domesticada. A REVOLUÇÃO não pode esperar. FEMINISMO É PRAXIS. Cansei de brincar de permormatismo butleriano, cross dresser, filmar porno com minhas amiguinhas lésbicas bdsmers e achar que isso é o suficientemente pra revolucionar. Subversão por subversão, preserva-se o substrato material que a permite. Por uma CIÊNCIA DA REVOLUÇÃO! GÊNERO É UM CONCEITO REACIONÁRIO! O que existe é o PATRIARCADO. Não permitiremos a invisibilização de nossas vidas novamente! Muito menos dentro do movimento. Nossa opressão tem nome. Nossa opressão existe. Nossa opressão é concreta! Eu não sou uma miragem!
....

O Imperialismo, Racismo, Capitalismo são sintomas da
supremacia masculina - do sexismo
(Robin Morgan)

1 comentário:

Júlia disse...

Oi, sou eu.
[ a /saumensch. aquela novinha. ]

eu sei que nunca estou nas discussões e nos tópicos do orkut.
nunca comento aqui, nem participo de nada.
mas estou sempre aqui.
sempre leio o que escrevem no orkut.
estou sempre vendo, lendo, observando.



beijo!