segunda-feira, julho 02, 2007

Pornografia torna o mundo mais violento?

A violência sexual dos homens não é trabalho de individualidades psicóticas mas produto da construção normal da sexualidade maculina em sociedades como estados unidos e australia hoje em dia - como uma prática que define seu status superior e subordina mulheres. Se nós queremos seriamente acabar com tal violência a gente não pode aceitar essa construção como o modelo do que "sexo" realmente é. - Sheila Jefreys


1º - Objetificação da mulher é Discriminação, porque promove uma noção da pessoa mulher que a define mais como UMA COISA que como ALGUÉM, e coisas são passiveis de tudo, discrimina as mulheres como seres diferentes e que não estão dentro da comunidade humana ou se estão é pra servir sexualmente ou até como uma idéia agradavel nas mentes masculinas, mas não mais que isso, também sendo restringidas suas possibilidades e suas referencias de ser mais que isso. Logo, valida o facismo sexual em que vivemos;

2º - Porque legitima o prazer acima de qualquer meios e a despeito de suas construções sociais e interesses envolvidos em tal construção social da sexualidade;

3º - Sim, porque é meio fundamental de educação e formação de homens em idade ainda jovem e suas concepções acerca de sua sexualidade como um direito de prazer sobre alguém como legítimo e um dever a ser buscado pra validação da sua masculinidade não importando os meios empregados; Também passa uma idéia falaciosa de que isso é uma questão de desejo sexual testoronal masculino e não uma questão de poder e dominação. Como se estupros, abusos, assédios e toda essa conformação de machos como uma manada de lobos famintos fosse uma questão filogenética e inevitável, porque homens teriam mais desejo sexual e seriam bestas insaciáveis com os quais as mulheres convivem em perigo diário, quando não é isso mas sim uma construção social legitimada por mídias especializadas como essa;

4º - Promove erotização da violência, destruição, dor, dominação. Sexualiza poder. Assim, valida tais manifestações como intrínsecas do sexo e imutáveis e inerentes, de tal forma bombardeada em todas esquinas de ruas e mídias publicitárias que importam o modelo da pornografia e tantos outros espaços que fica praticamente impossível pensar sexo como algo desvinculado de poder e violência e priorizar uma ressignificação do mesmo em termos de igualdade, reciprocidade, dialogicidade, e realmente relacional.

4º - Pornô é violência simbólica contra mulher, é como a carne que vai parar na sua mesa que em nada lembra o estado original de um ser vivo que foi abatido e sequer se ouvem seus gemidos de dor (silencia). Torna a figura da mulher no plano bidimensional tão distante da sua forma humana original, extrai-se de forma tão cuidadosa a pessoa humana da figura da mulher ali representada como um objeto, apresenta-se a mulher numa verdadeira assepsia visual onde inclusive retoques computadorizados foram impingidos à imagem que de fato a pessoa que utiliza o porno pra sua satisfação e vantagem pessoal não sente culpa do que está fazendo, de fazer um ser humano se submeter a suas vontades que ainda por cima são obscenas, egoístas, desumanas e cheias de ódio.

5º - Se pornô é violência simbólica contra a mulher, seu conteúdo expressa ódio. A mulher ali é definida nos termos de uma fantasia mesquinha e cruel, onde ela será limitada e anulada sob a função de servidão sexual. Não é necessário matar o outro que é odiado, pode-se fazê-lo virar sua ferramenta pessoal e diminuí-lo a uma condição não só de território e população conquistada e dominada, mas de colaborador e que ainda desfruta de prazer e realização pessoal na servidão que lhe impelem.

6º - Pornografia se refere a um mundo que subentende que não existem mulheres, um mundo de domínio dos homens, e quando uma mulher anda na rua (que seria de todos a priori) e vê cartazes pornôs em bancas e outdoors, ou mesmo propagandas que assimilam o estilo da pornografia (moda, cerveja...) é como se recebesse a mensagem constante e sistemática, sempre a lhe lembrar: o mundo pertence aos homens. Você está no território inimigo. Assim sendo, a pornografia representa os privilégios dos homens;

7º - A construção da masculinidade da forma normatizada que é apresentada coloca masculinidade como sinônimos de prepotência, violência, poder, dominação, agressividade, competitividade, impositividade, soberba, frieza, insensibilidade, crueldade, dubiedade, mal caratismo, desprezo pelas diferenças e formas de vida. Masculinidade construída assim acarreta em conseqüências esperadas como estupro, assassinato, espancamento. Se o macho é tão mais macho quanto mais dominar uma mulher ou quanto maior seu senso de propriedade sobre um outro, se frustrado em tal expectativa que lhe recai, ele vai espancar pra se afirmar. Masculinidade é continuamente definida como uma identidade que pra existir tem que se afirmar sobre um outro. Logo, masculinidade é fundamento da violência;

8º - A pornografia é uma mídia essencial de educação pra masculinidade, ela é formativa. E tem como público que objetiva (sem tornar público) o pré-adolescente e juvenil masculino, como uma espécie de mídia de formação sexual*. A pornografia dirige o desenvolvimento púbere pra uma conformação de masculinidade que se presta a afirmar-se através da degradação de uma mulher.

9º- Normalização de um modelo de sexualidade anti consensual, da coerção, imposição pela força, e ´conquista´ ou compra de favores as quais a pessoa que os presta não está de total acordo íntimo mas o faz pela ameaça de não ganhar um cachê, não se manter na mídia, não ter reconhecimento, não fazer marketing adequado de sua imagem, ou nas relações pessoais, pra agradar o outro, por pressão, por ameaça, por achar que é um dever ou pra seguir a cartilha do que é ser mulher e pra não ficar sozinha sem homem quando estamos numa sociedade em que sem um homem a mulher não tem proteção ou reconhecimento ou sequer é considerada mulher, pode sofrer builling, chacota, se sentir desprezada, não aceita, feia, sozinha, e toda sorte de angústias, estando numa sociedade heteronormativa em que indivíduos que tem uma relação com sexo oposto são vistos como rentáveis economicamente e moralmente.

10º - Comodificação de um grupo: mulheres são mercantilizadas como produtos. Uma classe inteira é tratada como ALGUMA COISA ao invés de ALGUÉM. Como coisas, não como pessoas. Objeto de troca, negociações, recompensa, presente. Porno coloca q mulheres são coisas a disponibilidade dos homens.

11º - E eles, minha querida, REALMENTE PASSAM A ACREDITAR NISSO. A verdadeira mulher é a que se submete a isso. Eles cantam todas nas ruas, e elas tem que agüentar. Eles TOMAM o que não é deles, eles INVADEM a privacidade e a tranqulidade feminina, a integridade pessoal. Porque isso tudo é dito pelo pornô que é GOSTOSO. Que é prazer, que é o que há, que é divertido, que é vida, que é liberdade, que é espontaneidade, que é pouco, que é brincadeira, que é coisa leve (pra eles né) e se beneficiam assim as custas das mulheres, ofendendo de forma dissimulada a auto-estima feminina.

12º - Pornografia esvazia os relacionamentos humano. Quanto mais pornografia, menos sexo. Quanto menos sexo, mais frustrações. Quanto mais frustrações, maior o distanciamento nas relações humanas. Quanto maior o distanciamento nas relações, maior a fuga da realidade. Quanto maior a fuga da realidade, mais pornografia. Quanto mais pornografia...

Pornografia não é sinal de muito sexo, mas de pouco. Quanto mais pornografia, menos sexo e mais pornografia. Pornografia é um grande mito homosocializador heterocêntrico dos homens sob patriarcado cristiOnanista. Pornografia não aproxima, afasta, não facilita, dificulta, para o homem então, hum, é um desastre. Infecta a mente dele com imagens, imagens, imagens, padrões, ideias de desempenho, tudo somando para o estreitamento de sua resposta sexual diante de mulheres e situações reais de sexo.

A mulher de verdade vira pornografia com defeito e que é incapaz de realizar todas fantasias muitas vezes de parâmetros irreais mostradas pelo pornô. Pornografia virtualiza e distancia pessoas. Pornografia desvaloriza a mulher real.

"Data on how pornography affects women's relationships with men demonstrate that women feel: emotionally distant, 15 percent; sexually distant, 14 percent; as if they are being negatively compared to other women, 42 percent; bad about their bodies, 33 percent; sexually inadequate, 19 percent; pressured to perform, 22 percent; as if sex were a performance, 24 percent; and pressured to try sex acts, 15 percent."
--Wendy Stock, "The Effects of Pornography on Women," in The Price We Pay, 87.

13º- Onanismo como treinamento de guerra. Intercurso como arma de ocupação, invasão, coerção, conquista de terroritorios alheios. Onanismo masculino como genitalização. Banalização da sexualidade, não como campo de profunda dimensão existencial e vivencial humana, mas uma coisa utilitária, tal como uma comida de fast food, um chiclete que se masca, e não aquele contato mais íntimo que pode se ter com uma pessoa. Supervaloriza sexo como algo compulsório compulsivo, intercurso como afirmação, homem penetra a vagina e tem que fazer tal exercício com freqüência pra sentir que domestica e adestra e não teme a vagina e o outro mulher. (estou usando o termo deles, como eles se referem a intercurso como um blitzkrieg, guerra relâmpago: rapidinha obrigatória semanal pra desestressar e descontar sobre a mulher suas frustrações. Eu como, ela dá (colaboração), possuir, ter, etc...

14º - Pornografia determina o que o sexo vai ser e se torna realmente um parâmetro do que sexo realmente é...

15º - Pornografia adestra meninas pra sexualidade e psiquismo masoquista, que é uma espécie de síndrome de Estocolmo desenvolvida pra que a mulher suporte uma ordem onde só há dor e ocupação. Ela desenvolve uma resignação e prazer da dominação, mesmo porque na tenra infância ela é efetuada pelas únicas pessoas que tem: os pais, o pai em especial, e o orgasmo da dor vira um mecanismo psíquico de sobrevivência dentro da ordem falocrática;

16º - A pornografia faz os homens ou os homens fazem a pornografia? Diríamos que a segunda assertiva é a mais instaurada como prática, mas a pornografia teve origens na predominância masculina na sociedade, é a evolução de práticas que no passado foram o harém, o comcumbinato, o casamento/estupro institucionalizado, sacrifício de virgens, esposa mirim por estação do ano na índia...

DÚVIDAS MAIS CORRENTES:

→ Isso não é ser anti-sexo?

Não, é recuperar o sentido saudável de sexo. Se intercurso sexual foi definido pelos homens como uma arma de guerra e ocupação, em termos bélicos mesmo, o campo da guerra trazido pros corpos e pras relações, pros micropoderes cotidianos. Homens usados pelo Patriarcado como colonizadores nos corpos das mulheres, definindo seus desejos, seu comportamento, sua aparência de forma a adestrá-las. Falar que ser contra pornografia é ser anti sexo é 1º: achar que a pornografia diz de fato o que sexo é e aceitar essa definição de sexo não igualitário, não consensual, não recíproco e não relacional. 2º: denuncia um androcentrismo de pensamento, sendo que até as mulheres pensam com os termos dos homens sobre questões relativas a sua autonomia sobre seu corpo e as implicações que a forma ideológica com que é difundida pode trazer. 3º: denuncia todo incomodo dos homens quando vêem sendo tocados um dos seus mais fundamentais privilégios: aqueles que tem sobre as mulheres.

→ Isso não é conservadorismo do feminismo? Posar nu é libertário?

O que é ser conservador? Conservador é aquilo que conserva, preserva, as velhas estruturas. Feminismo propõe mudanças na estrutura social onde a pornografia preserva a supremacia masculina e define as mulheres e seus corpos em relação aos homens. Libertar o corpo da mulher é libertá-lo de definições externas que acarretam em subordinação a interesses econômico-políticos de vendê-los, negociá-los, invadi-los e impor-lhes uma conformação de gênero específica que impede seu pleno desenvolvimento humano. O pornô tem um discurso falacioso de liberdade de expressão, que apenas parece ser válido aos homens. Quando recebe qualquer crítica, que é a manifestação de expressão de indignação legítima das mulheres, é como se violássemos esse direito, logo ele só vale pros homens.

→ Pornografia é só fetiche, fantasia , irreal?

Não. Mulheres reais são usadas na pornografia. Difundir tais usos da sexualidade ligados a poder acarreta em conseqüências concretas na sociedade. A mulher não pode ter sua integridade física garantida se vive numa sociedade em que tais usos e olhares sobre seus corpos são assim conformados.

→ Pornô pode ser visto como uma política de saúde pública? Se proibir pornô evita a violência sexual?

Violência sexual, estupro, não é uma questão de prazer. É sobre poder, sobre as construções normais acerca de sexo e masculinidade, cujo um dos principais veículos de apologia e pregação ideológica é a pornografia. A pornografia é um ramo muito estratégico e lucrativo pra ser um elemento inocente na sociedade, ela é usada pra fins geopolíticos.

→ E o pornô não violento? Só com ensaios?

O opressor pode estar introjetado dentro de nós. Podemos fazer um pornô que acabe sendo igual ao convencional, e ainda estar colaborando pra inocentar os impérios pornográficos, protegê-los, confundir a ofensiva sobre eles, suavizar as reações, sem contar que fazer uma pornografia alternativa não faz sequer cócegas no patriarcado ou supremacia masculina.

Podemos objetificar de forma mais suave, podemos reforçar modelos de gênero de forma a chamar menos atenção daqueles que se revoltam. Se esse pornô é pago, ainda assim há mercantilização do corpo da mulher. Se tem grande difusão, está sendo um importante veículo educador. A violência é implícita ou subentendida, a mulher é apresentada em termos de conquista de corpo, de consensualidade forçada pela compra, de servidão negociada, onde essa negociação é injusta quando uma das partes detém mais poder. Esse pornô mais suave diz que homens tem direito sobre corpo de mulheres ou podem conseguir facilmente tal direito sobre os corpos delas. Ou algo que os representa enquanto supremacia na sociedade, afirma seus poderes, invisibiliza a existência das mulheres além disso. O corpo da mulher não é apresentado de forma neutra, é sexualizado, e dependendo quem esteja atrás da câmera ou quem seja o patrocinador ou mesmo o grau de colonização mental de quem executa o ensaio, o resultado pode ser a imposição sobre o corpo do outro e das demais mulheres aquilo que não vai empoderá-las.

→ Dependendo da pornografia não pode até valorizar a mulher?

Ao invés de só objetificar as mulheres com corpo em forma, vamos objetificar todos os tipos. É essa a tal democratização da pornografia. Valorizar pra quem? Praquele que vai vê-la se despir. Agora todas mulheres terão direito de serem estupradas pelos homens. Valorizar a mulher é tarefa das mulheres.

→ Não depende da pornografia? E o pornô alternativo?

Podem existir tentativas, mas podem não passar de formas de melhorar a imagem da pornografia e até atingir os nichos de mercado mais diferentes que ainda não foram assimilados.


DADOS:

* • 100% of all high school age males surveyed reported having read or looked at Playboy or similar "men's entertainment" magazines
• the average age when viewing first issue is 11 years old
• 16.1 issues is the average number seen by male high-schoolers
• 92% of males in junior high report exposure to Playboy or similar magazines
• 12.8 years is the average age of exposure to first R-rated film
• a larger portion of high school students had viewed X-rated films than any other age group
--J. Bryant, testimony to the Attorney General's Commission on Pornography Hearings, Houston, Tex; 1985, transcript.
128-57.

Abuso sexual na infância:

Quando ocorre dentro do seio familiar (o abusador é o pai ou padrasto, por exemplo), o processo é bastante complicado. Normalmente interna-se a criança para sua proteção, e toda uma equipe trabalha com o clareamento da situação. Por vezes, a criança é também espancada e deve ser tratada fisicamente. A família se divide entre os que acusam o abusador e os que acusam a vítima, culpando esta última pela participação e provocação do abuso. O tratamento, então, é inicialmente direcionado para a intervenção em crise.

Depois, tanto a criança, quanto o abusador e a família devem ser tratados a longo prazo.

Devido ao fato de abuso de menores ser um crime, o tratamento do abusador torna-se mais difícil.

As conseqüências emocionais para a criança são bastante graves, tornando-as inseguras, culpadas, deprimidas, com problemas sexuais e problemas nos relacionamentos íntimos na vida adulta.



è leia-se problemas sexuais = frigidez, não-orgasmo, desgosto por sexo, vergonha do corpo, dificuldade com a própria sexualidade, ausencia da vontade de masturbação ou auto-erotismo, doenças ginecológicas por falta de atenção ao próprio corpo e informação sobre sexualidade ou interesse nesse assunto, tão ditos 'característicos' das mulheres...

para se ser mulher, 'deve-se' ter sido de alguma forma, estuprada. Só isso nos faz mulheres.

Relatório da Anistia Internacional diz que 1 bilhão de mulheres já foram espancadas ou estupradas. 20% das mulheres são alvo de estupro.

Você mora em São Paulo? Olhe o que está acontecendo agora do lado de fora da sua casa neste momento:


Diariamente, de 10 a 12 mulheres - de todas as idades - dão entrada no Hospital Pérola Byington, na região central, vítimas de violência sexual.

Estado registrou 2.560 casos em 2006, a maioria envolvendo jovens; conforme especialistas, número pode ser até seis vezes maior.
Uma vítima de estupro a cada 4 horas

(fonte, Instituto Patricia Galvão)

Sob patriarcado, a pornografia, que serve de mídia homosocializadora, heteronormatizadora e mobilizadora da Casa dos Homens, serve também de mídia fundamental da guerra psicológica (PSYWAR) contra a mulher.

Fica fácil de perceber quão socializadora e mobilizadora para a Casa dos Homens é a pornografia quando se considera que um dos maiores clientes, senão o maior comprador institucional de pornografia do mundo, é o exército dos estados unidos. E não será difícil a partir daí inferir a função hetero-estigma-normatizadora da pornografia, quando se toma a condição da mulher em torno das bases militares como sintoma, vez que, para efeito de mercado, uma base militar representa demanda de sexo por atacado, satisfeita no varejo contra a oferta local, crescente-na medida-da-promoção, de carne viva para phoda na forma de kits de peitos, coxas e bunda.

# Filipinas
portavam cartazes dizendo "Justiça para Nicole", "Prisão para os ianques", e "Fúria contra o estupro"
www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/story/2006/12/061204_estupro_marine_pu.shtml

# Japão
Estupro de menina por soldados levou a prostesto de moradores locais contra a permanência da base americana
www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/story/2005/10/051026_japanmilitary.shtml

# Iraque
Militar americano revela detalhes de estupro no Iraque
http://www1.folha.uol.com.br/folha/bbc/ult272u55760.shtml