sexta-feira, agosto 03, 2007

NÃO HÁ CAPITALISMO
Sem racismo, machismo e homofobia

Grupo de trabalho Mulheres e Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais da Coordenação Nacional de lutas

1969 é o ano que marca o surgimento das paradas gays e lésbicas, que hoje se realizam pelo mundo todo. Cansados da repressão policial, do preconceito e da violência, os homossexuais enfrentaram com a polícia numa batalha campal que durou dias. Retomar essa história é importante para entender que as Paradas do Orgulho Gay têm um origem na luta pelos nossos direitos e contra o preconceito que enfrentamos na sociedade.

É preciso entender que o preconceito e a opressão são peças fundamentas da sociedade em que vivemos. A desigualdade social, fruto da exploração, beneficia uns poucos enquanto joga a maioria numa condição de penúria. Para perpetuar essa situação. A divisão e o ódio mútuo entre os “de baixo” são imprescindíveis. Assim os preconceitos se difundem com o apoio, explícito ou não, daqueles que detém o poder, seja econômico, político ou ideológico. A Luta contra o racismo, o machismo e a homofobia deve andar lado-alado. Temos claro que a sociedade que precisamos não atende aos interesses dos que lucram com a homofobia. Assim, além de lutarmos ao lado de negros e negras, mulheres e outros setores oprimidos, precisamos nos somar também Às lutas dos trabalhadores contra a classe dominante.

Hoje, contudo, nos deparamos cada bem mais com paradas despolitizadas, que nada têm a ver com a origem do movimento. Isso não acontece por acaso. Presos à lógica do neoliberalismo, o preconceito se tornou um mercado milionário ligado à caríssimas casas noturnas. Ao turismo e às mercadorias voltadas para o público gay. A opressão que sofremos virou uma indústria na qual uns poucos lucram muito.

Por outro lado, o próprio movimento GLBT (gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros) está cada vez mais institucionalizado, ocupando espaços em Secretarias de governo e lucrando alto com projetos assistencialistas financiados com o dinheiro público e privado. Como resultado, se atrelam àqueles que deveriam combater e pressionar e não podem mias dar o caráter combativo e politizado que o movimento já teve no passado.

Mais do que isso, se afastam das bases do movimento, sendo sugados pelo conforto e prestígio dos espaços restritos que ocupam, e propagandeiam progressos e avanços em nossas lutas enquanto que seguimos sofrendo com a falta de respeito, o preconceito e a violência no dia-a-dia.
O movimento se encontra diante de uma encruzilhada: seguir o caminho atual, de atrelamento à origem vigente, perdendo a autonomia frente aos empresários dos guetos gays e governos, e em especial ao governo Lula – cuja base aliada é composta por setores fundamentalistas como o PL ligado à Igreja Universal do Reino de Deus -; ou retomar ás suas origens, travando uma luta consciente por mais direitos, contra o preconceito, e no caminho da unidade com outros setores oprimidos e explorados de nossa sociedade.

O que os setores majoritários do movimento GLBT se recusam a ver e que nem todos são nossos aliados na luta contra a homofobia. Os donos da milionária “indústria cor-de-rosa”, hoje, arrancam seus lucros exatamente da manutenção do preconceito e da violência que sofremos, e geralmente, nos impedem se sermos quem somos publicamente.

Transformando os espaços que conquistamos, com muita luta, em caríssimos “guetos privados”, acessíveis quase que exclusivamente àqueles que têm dinheiro para freqüentá-los ou representando-nos de formas totalmente fantasiosa nos meios de comunicação, estes senhores nada mais fazem do que investir na asquerosa versão neoliberal do já batido conceito de “cidadania”: o direito de consumir e virar mercadoria.

Enquanto isso, nossa verdadeira luta é secundarizada, ou limitada às Paradas ou outros eventos, que, também mercantilizados, servem cada vez mais ou menos como momentos de mobilização e luta.

É preciso que os sindicatos pautem o problema da opressão nos locais de trabalho, que se somem às Paradas (até mesmo para mudar o seu atual caráter), que denunciem o jogo hipócrita de Lula, que agrada a maioria das ONG’s com suas migalhas financeiras enquanto segue se apoiando nos mais reacionários partidos políticos, e em centrais pelegas como CUT e Força Sindical, para implementar reformas como a da previdência e gasta milhões para receber seus novos “companheiros”, facistas e homofóbicos, como Bush e Bento 16.

Por isso, mós da Coordenação Nacional de lutas (Conlutas), tentamos unificar as lutas de todos que sofrem com a opressão e a exploração, nos marcos da luta de classes, para construir uma outra sociedade, sem o preconceito, a violência, a submissão de classe. Uma sociedade socialista.

No interior da Conlutas, estamos organizado no Grupo de Trabalho de GLBT e Mulheres,
através do qual tentamos impulsionar o debate e construção de políticas em todos os sindicatos e entidades dos movimentos estudantil e popular que ,hoje, compõe a Coordenação, levando para o restante dos trabalhadores bandeiras de luta contra um inimigo comum, construindo um novo tipo de movimento social unificado, classista, socialista e consciente.
Trecho de: Submissão e Resistência – A mulher na luta contra a escravidão

A revolta no cotidiano
Quilombolas e guerreiras
A prática abolicionista

Maria Lucia de Barros Mott

A repercussão que a Guerra do Paraguai teve no movimento abolicionista já foi lembrada por vários autores, A volta do ex-escravos que serviam no exército brasileiro, seja por vontade própria, obrigados pelo Estado ou pelo proprietário particular (quando o proprietário não quis, não pôde alistar-se ou desejou fazer do escravo uma "oferta" à pátria), levou a opinião pública a tomar o partido em oposição aos antigos senhores que os queriam novamente no eleito, Afinal, o Estado não havia prometido liberdade aos escravos de nação, e às suas mulheres, quando foram obrigados a seguir para a guerra? E como manter no cativeiro um elemento que pertencera ao exército nacional? Seria uma tremenda desmoralização.

Durante os cinco anos que durou a guerra, o envolvimento da população com o conflito parece ter sido pequeno, dada a resistência ao alistamento, e às formas violentas usadas pelas autoridades a fim de obter contingente para a luta, os famosos "voluntários da pátria".

De um lado, nenhum outro conflito interno ou externo cultuou tantas "heroínas", provenientes dos mais variados meios sociais - Ana Nery, Ignez Augusta Corrêa de Almeida, Ludovina de Albuquerque de Porto-Carrero, Maria Curupaity, Francisca Biriba, Rosa da Fonseca, Felisbina Rosa e a escrava Ana - havendo, mesmo dentro do conflito, espaço para a participação feminina, seja como enfermeira, ou como vivandeira.

É preciso lembrar que um,a guerra não envolvia irmãos contra irmãos mas visava um "inimigo" comum, um "bárbaro" estrangeiro, o que tornava a "causa" indiscutivelmente "nobre", pelo menos a curso oficial.

De outro lado, foram cinco anos nos quais as mulheres ficaram sem seus maridos, as mães sem os filhos e as filhas sem os pais, A chefia de muitas famílias passou a para as mãos femininas, obrigando-as, certamente, a assumirem responsabilidades que antes não eram suas.

A repercussão que a Guerra do Paraguai teve na vida das mulheres, nesta segunda metade do século XIX, ainda está por ser estudada. Acredito que ela deve ter acrescentado uma boa dose de consciência política na cabeça de muitas brasileiras, preparando-as para a militância na campanha abolicionista. Embora não se tratasse mais de um “inimigo” estrangeiro, era preciso redimir a pátria da “mancha negra” da escravidão.

Para as mulheres, a participação no movimento abolicionista, talvez tenha sido a primeira experiência de militância política organizada, a nível nacional. Foi aí que muitas delas se iniciaram politicamente, o que lhes deu experiência para enfrentar posteriormente a campana pelo sufrágio feminino e os movimentos contra a carestia do começo do século.

Quanto à princesa Isabel, até que se realizem novas pesquisas sobre sua vida e obra, é preciso deixá-la descansar em paz. Culpabilizá-la pela situação atual dos negros, pelo fato de ter sido ela quem assinou a Lei Áurea, é o mesmo que enaltecê-la ou reconhecê-la como “A Redemptora”.