segunda-feira, dezembro 31, 2007

O Eunuco Feminino

"Afinal, qual é o problema? Quem sabe eu não pudesse fazê-lo. Quem sabe eu não tenha um belo sorriso, bons dentes, bonitos seios, longas pernas, bunda bochechuda, voz sensual. Quem sabe eu não saiba como lidar com os homens e aumentar meu valor no mercado, de modo que as recompensas devidas ao feminino aumentem. Quem sabe, então, eu esteja enjoada da mascarada. Estou enjoada de fingir eterna juventude. Estou cansada de disfarçar minha própria inteligência, minha própria vontade, meu próprio sexo. Estou cansada de espreitar o mundo através de pestanas falsas, de modo que tudo que eu vejo está misturado com uma sombra de cabelos comprados; cansada de sobrecarregar minha cabeça com uma juba morta, incapaz de mover livremente o pescoço, apavorada com a chuva, o vento, receosa de dançar com entusiasmo excessivo para que não sue em meus cachos laqueados. Estou nauseada com o Banheiro Feminino. Estou nauseada de fingir que alguns pronunciamentos auto-importantes de homens fátuos são objeto de minha atenção exclusiva, estou cansada de ir a filmes e peças quando outra pessoa quer, e cansada de não ter opinião própria a respeito de nada. Estou cansada de ser um travesti. Recuso-me a ser a personificação de um ser feminino. Sou uma mulher, não uma castrada.

April Ashley nasceu homem. Toda a informação fornecida por genes, cromossomos, orgãos sexuais internos e externos afirmavam a mesma coisa. April era um homem. Mas ele aspirava a ser uma mulher. Ele aspirava ao estreótipo, não abraçar, mas ser. Ele desejava tecidos macios, jóias, peles, maquilagem, o amor e a proteção dos homens. Era impotente. Não podia dde modo algum gostar de mulheres, embora aceitasse particularmente bem encontros homossexuais. Não se julgava um pervertido, ou mesmo um travesti, mas uma mulher cruelmente trasnformada, por meio de um desastre, num homem. Tentou morrer, tornar-se a personificação de um ser feminino, mas finalmente descobriu um médico em Casablanca que apresentou uma alternativa mais aceitável. Ele devia ser castrado, e seu pênis usado como forro de uma fenda construida cirurgicamente, que podia ser uma vagina. Seria estéril, mas isso nunca afetou a atribuição de feminilidade. April voltou para a Inglaterra resplendente. Tratamento maciço de hormonios erradicara-lhe a barba, e formara pequenos seios: ele deixara crescer os cabelos e comprara roupas de mulher durante o tempo que trabalhara como um simulacro de mulher. Ele se tornou um modelo e começou a ilustrar o estereótipo feminino como estava perfeitamente qualificado para fazer, pois era elegante, voluptuoso, belamente tratado, e apaixonado pela própria imagem. Num dia desgraçado casou-se com o herdeiro de um par do reino, o Hon. Arhut Corbett, concretizando a mais elevada realização do sonho feminino, foi viver com ele numa vila em Marbella. O casamento nunca se consumou. A incompetência de April como mulher era a que podemos esperar de um castrato, mas não é muito diferente de todo afinal da impotência de mulheres femininas, que se submetem ao sexo sem desejo, apenas com o prazer infantil de carinho e afeição, que é sua recompensa favortia. Na medida em que o estereótipo feminino permanecer a definição do sexo feminino, April Ahsley será uma mulher, não importando a decisão legal decorrente de seu divórcio. Ela é tanto uma causalidade da polaridade dos sexos como nós somos. Desgraçada, a April Ashleu assexuada é nossa irmã e nosso símbolo."

- Germaine Greer, the female eunuch, trecho.

quarta-feira, dezembro 19, 2007

Audre Lorde em Sendo uma Feminista Lésbica Negra

Karla Hammond: Como você define ser uma lésbica?

Audre Lorde: Mulheres-identificadas fortemente onde amor entre mulheres é aberto e possível, além do físico em todos meios. Há lésbicas, Deus o sabe...se você for a círculos lésbicos nos 40 e 50 em Nova Iorque...que não eram feministas e não se chamariam a si mesmas feministas. Mas a verdadeira feminista lida com uma consciencia lésbica tenha ou não qualquer vez dormido com uma mulher. Isso realmente não pode ser definido em termos sexuais somente de qualquer forma nossa sexualidade é tão energizante então porque não aproveitar isso também? Mas isso traz pra toda a questão do que erotismo é. Há tantas formas de descrever "lesbica." Parte da consciencia lésbica é um absoluto reconhecimento do erotico em nossas vidas e, tomando um passo mais a frente, lidando com o erótico não somente nos termos sexuais . . .Enquanto irmãs Negras não gostam de ouvir isso, eu devo dizer que todas mulheres Negras são lésbicas porque nós fomos criadas nos remanescentes de uma sociedade basicamente matriarcal não importando quão oprimidas nós tenhamos sido pelo patriarcado. Todas somos dykes, incluindo nossas mommas. Vamos começar realmente a deixar passar os tabus e sensos comuns. Eles na real não importam. Estar apta a reconhecer que a função da poesia em qualquer arte é enobrecer e empoderar nós de uma forma que não é separando da nossa vivência, essa crença é África em sua origem.

Hammond, Karla. "An Interview with Audre Lorde." American Poetry Review March/April 1980: 18-21.

(...)

Hoje em dia o encobrimento em relação a hostilidade à lésbicas está sendo usada na comunidade Negra para obscurescer a verdadeira face do racismo/sexismo. Mulheres negras dividindo laços estreitos umas com as outras, politicamente ou emocionalmente, não são os inimigos dos homens Negros. Muito frequentemente, entretanto, alguns homens Negros tentam regular pelo medo aquelas mulheres Negras que são mais aliadas que inimigas. Essas táticas são expressadas como injúrias de rejeição emocional: "Sua poesia não era tão ruim mas eu não pude levar de boa todas aquelas sapatilhas." O homem Negro dizendo isso é código - alarmando toda mulher Negra presente interessada em um relacionamento com um homem - e muitas das mulheres Negras estão - que (1) se ela quiser ter seu trabalho considerado por ele ela deve evitar qualquer outra aliança que não com ele e (2) qualquer mulher que desejar manter sua amizade e/ou suporte é melhor que não seja contaminada por interesses identificados com mulheres....Tudo também muitas vezes a mensagem vem alta e clara para mulheres Negras de homens Negros: "Eu sou o único prêmio de valor a ter e não há muitos como eu, e relembre-se, eu posso sempre ir a quaquer outro lugar. Então se você me quer, é melhor permanecer em seu lugar que é sempre o de um outro, ou eu vou chamar a você 'lésbica' e vou varrer você embora." Mulheres Negras são programadas a definirem a si mesmas dentro das atenções masculinas e a competir umas com as outras por isso ao invés de reconhecer e se mover por seus próprios interesses.

A tática de encorajar hostilidade horizontal para encobrir mais questões de opressão que pressionam não é algo novo, nem limirado a relações entre mulheres. É a mesma tática usada para encorajar separação entre mulheres Negras e homens Negros. Em discussões em torno de contratação e dispensão de faculdade Negra em universidades, o encargo é frequentemente ouvido que mulheres Negras são mais facilmente contratadas que homens Negros. Por essa razão, os problemas das mulheres Negras são mais facilmente considerados que os dos homens Negros. Por esta razão,problemas das mulheres Negras de promoção e permanência não são considerados importantes uma vez que elas estão apenas "tomando os empregos dos homens Negros." Aqui novamente, energia está sendo gasta em lutar uns aos outros em cima de lamentável poucas migalhas permitidas a nós ao invés de ser usado, juntando forças para lutar por uma proporção maior de faculdade Negra. O devir poderia ser uma batalha vertical contra polícias racistas da estrutura acadêmica mesma, algo que poderia resultar em verdadeiro poder e mudança. É a estrutura no topo que deseja imodificação e esta mesma que lucra de aparentes guerras de cozinha sem fim.


(Lorde, Audre. "Arranhando a superfície: Algumas Notas nas Barreiras para Mulheres e Amor." Sister Outsider: Essays and Speeches. Freedom, CA: Crossing Press, 1984. 45-52.)
Não há Hierarquias de Opressão, por Audre Lorde
[There Is No Hierarchy of Oppressions by Audre Lorde]


Eu nasci Negra, e mulher. Eu estou tentando me tornar a pessoa mais forte. Eu posso voltar a viver a vida que me foi dada e ajudar em mudança efetiva em torno de um futuro vivível para essa terra e para minhas crianças. Como uma Negra, lésbica, feminista, socialista, poeta, mãe de duas crianças incluindo um garoto e membra de um casal interacial, eu usualmente acho a mim mesma parte de algum grupo no qual a marjoritariedade define-me como desviante, difícil, inferior ou apenas sendo ´errada´. Pela minha pertença em todos esses grupos eu aprendi que opressão e intolerância da diferença vem de todas formas e tamanhos e cores e sexualidades: e dentre aquelas de nós que dividem os objetivos da libertação e um futuro trabalhável para nossas crianças, onde possa não existir hierarquias de opressão. Eu aprendi que sexismo (a crença em superioridade inerente de um sexo sobre todos outros e então seu direito a dominância) e heterosexismo (a crença na superioridade inerente de um modelo de amor sobre todos outros e então seu direito a dominância) ambos nascidos da mesma fonte como racismo - a crença em superioridade inerente de uma raça sobre todas outras e então seu direito a dominância.

“Oh - diz uma voz da comunidade Negra: - mas ser negro é NORMAL!” Bem, eu e muitas pessoas Negras da minha idade podem lembrar amargamente os dias quando não costumava ser!

Eu simplesmente não acredito que um aspecto de mim pode possivelmente lucrar da opressão de qualquer outra parte de minha identidade. Eu sei que meu povo não pode possivelmente lucrar da opressão de qualquer outro grupo que deseje o direito a existência pacífica. Ao invés disso, nós diminuimos nós mesmas por negarmos a outros o que nós vertemos sangue para obter para nossas crianças. E aquelas crianças precisam aprender que elas não tem que se tornar iguais umas as outras de forma a trabalhar juntos por um futuro que elas irão compartilhar.


Os ataques crescentes sobre lésbicas e homens gays são apenas uma introdução aos crescentes ataques sobre pessoas Negras, para onde quer que seja manifestos de opressão em si mesmos nesse país, Pessoas negras são vítimas potenciais. E esse é o estandarte do cinismo da direita encorajar membros de grupos oprimidos a agir uns contra os outros, e por tanto tempo a gente é dividido por causa de nossas identidades particulares nós não podemos juntar-nos todos juntos numa ação política efetiva.


Dentro da comunidade lésbica eu sou Negra, e dentro da comunidade Negra eu sou lésbica. Qualquer ataque contra pessoas Negras é uma questão lésbica e gay porque eu e centenas de outras mulheres Negras somos partes da comunidade lésbica. Qualquer ataque contra lésbicas e gays é uma questão Negra, porque centenas de lésbicas e homens gays são Negros. Não há hierarquias de opressão.


Não é acidental que o Ato de Proteção à Família, que é virulentamente anti-mulher e anti-Negro, é também anti-Gay. Como pessoa Negra, eu sei quem meus inimigos são, e quando o Ku Klux Klan vai à corte em Detroit e tenta e força o Conselho de Educação de remover livros o Klan acredita “induzir a homosexualidade,” quando eu sei que eu não posso me dar o luxo de lutar apenas uma forma de opressão somente. Eu não tenho como acreditar que liberdade de intolerância é direito de apenas um grupo particular. E eu não posso escolher entre as frentes em que eu devo batalhar essas forças da discriminação, onde quer que elas apareçam pra me destruir. E quando elas aparecem para me destruir, não durará muito para que depois eles aparecerem pra destruir você.


(Audre Lorde, ativista, poeta e escritora, faleceu em 1992 após 14 anos de luta contra seu câncer de mama, é uma referência maior de uma feminista negra radical e lésbica radical negra. Leia mais no artigo intitulado Transformação do Silêncio em Linguagem e Ação)

terça-feira, dezembro 11, 2007

Tribadismo: A Arte do friccionamento



Tribadismo: A Arte do friccionamento. Uma antigua prática lesbiana por Valeria Flores* publicado em 23 de outubro de 2003 em safo piensa lista

Pouco conhecemos, ou quase nada, acerca de como viviam as mulheres que tinham relações erótico/sexuais/afetivas com outras mulheres, em épocas em que a sexualidade das pessoas não indicava uma sexualidade sexual determinada.

Judith Brown[i] concebe que “as dificuldades conceituais que os comtemporâneos tinham com respeito a sexualidade lesbiana se refletem na carência de uma terminologia adequada. A sexualidade lesbiana não existia; portanto, tampouco existiam lesbianas. Uma vez que a palavra “lesbiana” aparece uma vez no século XVI na obra de Brantome, não foi de uso corrente até o XIX, e inclusive então foi aplicada antes a certos atos em lugar de uma categoria de pessoas. Ao carecer de um vocabulário e de conceitos precisos, se utilizou uma larga lista de palavras e circunlocuções pra descrever o que as mulheres, ao parecer, faziam: masturbação mútua, contaminação, fornicação, sodomia, corrupção mútua, coito, copulação, vício mútuo, profanação e atos impuros de uma mulher com outra. E no caso de chaamres de algum modo àquelas que faziuam essas terríveis coisas se chamavam ‘fricatrices’, isto é, mulheres que friccionavam umas com as outras ou “tribadistas”[tribades], o equivalente grego a esta mesma ação.

Tribadismo significa “ela que roça” e faz referência a uma prática sexual entre duas mulheres em que elas se apoiam os corpos e pactuam peitos com peitos, vulva com vulva, e começam a contorsear-se, esfregando-se mutuamente os clitóris até chegar ao orgasmo simultâneo.

No nosso país (Argentina) no século XX, podemos observar a partir de alguns documentos, o temor da expansão do tribadismo. Jorge Salessi, em seu estudo original sobre como operou a homosexualidade na constituição do estado nacionl argentino, diz acerca da homosexualidade feminina, “...nas formas de representação de uma homossexualidade das mulheres, por exemplo, se faz evidente a propagação exagerada de um pânico homossexual, uma ansiedade cultural produzida, promovida e utilizada para controlar e estigmatizar populações consideradas perigosas pela cultura patriarcal e burguesa hegemônica”.

O autor aprofunda em como a educação nacionalista [iv] cumpriu um papel fundamental em combater o erotismo entre mulheres, chamando os naquela época de tribadismo, uranismo e/ou fetiquismo. Segundo Salessi "tribadismo", significava práticas sexuais entre mulheres, ademais de "hábitos" ou comportamentos definidos como incorretos para seu sexo biológico. Esses costumes ou prácticas sexuais eram, segundo os pedagogos e criminólogos argentinos, aprendidas especialmente no meio insalubre das escolas e colégios de monjas.

Por exemplo, em José Ingenieros[v] se revela uma aguda preocupação pela homosexualidade feminina. Ele argumenta que “a homosexualidade se bem não era tão comum na mulher, o era entre mujeres de certa educação”. Ingenieros escreveu: “...a inversão se observa menos frequentemente nas mulheres; a educação e o meio são pouco propícios ao desenvolvimento do 'tribadismo', sendo menos raro entre mulheres independentes de toda trava social (artistas, intelectuais, etc). Nas jovens se observa muitas raras vezes, uma vez que a inversão sentimental ou romântica é muito frequentemente nos colégios e internatos femininos

Em 1910, Ingenieros ofereceu a historia de una mulher que "no convento onde foi educada contraiu hábitos de tribadismo que persistiram ao sair dali: era uma maria-macha completa, tratava a suas condiscípulas como se ela fosse um homem e se dedicava a enamorá-las ou seduzí-las, para que se submetem-se a suas práticas tribadistas”. Explica Salessi que a única dessas práticas a que aludiu este criminólogo foi a do "onanismo recíproco" porém sem especificar como se masturbavam essas mulheres entre si. A reticência destes homens da ciência a descrever práticas sexuais entre mulheres (especialmente a comparar-la com a riqueza de detalhes com que descreveram as práticas sexuais entre homens) foi uma característica recorrente do discurso desta ciência sexual argentina. Uma vez mais, as relações eróticas entre mujeres nem sequer foram enunciadas, destinando-as ao campo do impensável, do indizivel.

“No Livro de maneiras, escrito na modernidade precoce, o bispo Etienne de Fougere argumenta que o coito entre mulheres é tão absurdo como abominpavel, outorgando por exemplo de semelhante estupidez o ato de tentar pescar com vara sem ter a vara (o que leva a sentenciar que o ato sexual entre lesbianas não é mais que um esforço inútil, desgaste de energias, ação desnecessária, etc.)” . Esse sem-sentido pode explicar-se parcialmente pelo contexto dentro do qual o "sexual" ha adquirido "sentido”.
O estatuto ontológico de sexo se planta através do duo penis-penetração; portanto, a ausência de tal par nos remete a que a razão de ser do ato "sexual" desaparece em quanto tal. Que estatuto se lhe poderia adjudicar à atividade sexual entre lesbianas?
Se o sexo se tem entendido enquanto equivalente do par penis-penetração, a pergunta que aparece é: que poderiam fazer as lesbianas para que tais atos adquiram o estatuto de "sexuais"
? Uma forma de começar a desarmar esta pergunta pode consistir em pensar a seguinte fórmula: "Penetrar versus Atritar". Tanto a penetração como a descarga do sêmem tem tido bastante relevância em diversas tradições religiosas e seculares, pelo que se tem entendido que o atritamento entre lesbianas é uma “copulação falida". Isto nos leva a revisar a assimetria fundamental que se depreende de outro duo: atividade-passividade, em que a atividade/penetração está associada com o masculino enquanto que a passividade/penetrada ao feminino. As práticas lesbianas como o tribadismo descolocam este sistema categorial, o desloca, e a lesbiana acaba fora da ordem do discurso. Se pensamos a penetração em termos extra-"pênicos” abrimos interrogantes, como por exemplo, como administrar entre lesbianas o par atividade-passividade sem remeter ao masculino ‘penetrar’ nem ao feminino ‘penetrada’?, ou qual é o estatuto ontológico que se haveria de outorgar a um dildo cuja "masculinidade" (se atributo for adjudicavel) não pertencesse nem a um nem a outra?

Rastrear na história de silêncios as pistas das relações entre mulheres, da paixão entre mulheres, das formas que se tiveram designado o erotismo entre mulheres, entre as que se encontra o tribadismo, é uma convocatória a redescobrir a dimensão histórica de nosso desejo, suas lutas por sobrevivência e pervivência. É necessário compreender que a proliferação dos prazeres e a difusão de uma economia erótica não-falocêntrica afeta o sistema heteropatriarcal, ele que está intimamente ligado ao capitalismo, cuja base controlada é a família tradicional. O lesbianismo ataca essa base econômica e ademais desestabiliza o controle demográfico, base de suas previsões sociais. Por isso que o oculta e nega, apesar da ignorância a que é submetido o desejo lésbico, há que celebrar que segue palpitando no corpo de muitas mulheres. As mulheres que tiveram expressado sua paixão por outras mulheres, através das épocas, tiveram lutado e foram mortas antes que negar essa paixão. A síntese do lesbianismo e feminismo (dos movimentos teórico/políticos centrados e impulsionados por mulheres), intenta-se revelar e acabar com o mistério e silêncio que rodeia o lesbianismo. Esta análise é uma pequena incisão contra essa esfera do silêncio e segredos que apresenta a impossibilidade de adjudicar um espaço discursivo às relações sexuais entre mulheres. E faço próprias as palavras da feminista afroamericana Cheryl Clarke, “dedico esta obra a todas as mulheres ocultadas pela história cujo sofrimento e triunfo tem feito possível que eu possa decidir meu nome em voz alta. “

NOTAS

[i] Brown, Judith (1989). Afetos vergonhosos Sor Benedetta: entre santa e lesbiana. Ed.Crítica, Barcelona.

[ii] Salessi, Jorge. (2000). médicos, maleantes y maricas. Beatriz Viterbo Editora. Rosario.

[iii]A noção de pánico homosexual é citada por Salessi, a quem a retoma de Eve Sedgwick em Epistemologia do armário. Sedgwick explica que especialmente na segunda metade do século desenove, a produção e
utilizaçã do pânico homosexual serviu para a perseguição de uma nascente minoria de homens que se identificavan a si mesmos como homosexuais mas também, e especialmente para regular os laços homosociaies entre todos los homens, laços que estruturam toda a cultura, o ao menos toda a cultura pública e heterosexual.

[v] Médico e escritor argentino, 1877-1925.
[vi] “Um passeio por afora do discurso: que fazem as lesbianas na cama?”. Susana Draper. Extraído da internet.

[vii] "Um ato de resistência" por Cheryl Clarke, extraído de la Recopilación sobre lesbianismo y homosexualidad masculina, realizada por Jorge Horacio Raices Montero.
* Valeria Flores <valeriaflores@ciudad.com.ar>
Feminista Lesbiana
Colectiva feminista La Revuelta
Neuquén - Argentina


DISCUSSÃO:
Eu entendo que a negação da sexualidade da mulher cosntitui uma das formas de violência contra ela conforme adrienne rich lista em seu artigo compulsory heterosexuality and lesbian existence. A negação lésbica na história se cosntitui numa estratégia de política de femicidio simbólico, no campo discursivo de acesso de um fenômeno a configuração real, discurso como verbalização e oficialização, reconhecimento e visibilidade, debate. O Não-reconhecimento da sexualidade na mulher ou na lesbiana é uma forma de alienar nossos corpos de nossas buscas de autonomia, é colocar esse corpo sob a validação societal por meio do intercurso, só o intercurso ou uma agencia externa nos define enquanto sexuais, só é sexo e sexualidade se pressupor heterosexualidade ou sua mímica nisso entrando dildos e penetração (não que considere penetração sempre imitação eu mesma não entendia dedada como penetração mas quando vi que muitas lésbicas sentiam dor e não curtiam comecei a pensar sobre as implicações de se compreender dedada como penetração e imposição heterocentrica ou pelo menos hábito influenciado pelo heterocentrismo quando tantas mulheres nao se adaptam a ela...e eu mesma comecei a ver que dedada virou parte do conjunto de estimulos e não a finalidade ou o meio predominante de chegar a orgasmo e várias mulheres tem dificuldade apesar de ser um estimulo ótimo) essas tentativas de cópia dos postulados sexuais normativos onde mulheres não andam se adaptando podem constituir-se numa investida de cidadania primária sexual em que lesbianas e gays se engajam, tentando entrar de alguma forma no estatuto de sexo oferecido, meio que nos fazendo cópias fracas do sexo heterosexual. Ainda mais o sexo lesbiano, que tem toda uma descrença generalizada recaindo sobre ele...Ao mesmo tempo coloca essa coisa misógina entre mulheres, mulheres não se acreditam capazes de satisfazer um corpo feminino, não sentem serem capazes de satisfazer a si mesmas, e dada a pobreza dos modelos de sexualidade oferecidos pela sociedade, a garota fala que é heterosexual por não se interessar pela possibilidade lésbica. Isso porque lesbianidade é propagado como sexualidade quando não se trata de sexualidade embora envolva também isso e sexualidade expresse muita coisa (Wittig diria que mulheres e lesbianas são muito visíveis como seres sexuais porque fomos sempre reduzidas a sexo e função sexual, logo a extrema sexualização lésbica é uma forma de sexismo também mesmo que lésbicas da 3a onda digam que a carência de enfoque na sexualidade lésbica ou em uma sexualidade lésbica agressiva represente a negação da sexualidade da mulher, o igualitarismo como machista por dizer que mulheres são mais doces e seu sexo também, e que politizar lesbianidade é invisibilizá-la por outro lado segundo estas, mas eu considero anti feminismo dizer que o pessoal e privado não é político, sexo pra mim é muito político mas fazer sexo por si só não tá construindo uma grande revolução pra coletividade...). Então frente a tantas dificuldades, lá vão as garotas lutar com o intercurso, tentar se encaixar nisso...Eu acredito que modelo sexualidade lesbiana deveria ser considerada uma das políticas fundamentais de reeducar e recuperar o corpo feminino tão estigmatizado e violentado por séculos de história, as marcas das intervenções colonizatórias. Como essa intervenção não age também num meio tão importante quanto lesbianidade? Eu acho que lesbiandiade deve ser sempre considerado algo sério e debatido por ser uma ferramenta tão importante pra feministas, vejo lesbianidade como um projeto de vida pautado numa ética feminista, lesbianidade pra mim é uma ideologia. As imagens pornográficas atuam distorcendo a parte da lesbianidade que diz respeito a sexualidade (sexualidade é sempre fundamental na vida humana embora não queira dizer que seja compulsório quando digo fundamental, o celibato é uma postura da sexualidade diria muito revolucionária) e assim dificultando ainda mais a cidadania desse corpo. Pra isso recomendo uma olhada e lida no artigo do site KamaSutraLésbico que é um projeto educativo erótico de visibilidade e promoção de autonomia sexual de mulheres.
outras referências:
(percebi que há quem defina tribadismo como prática de friccionamento clitoral geral, mas há quem diga que isso é para roçamento de genitálias, há também o termo siscoring ou tesourinha mas no portugues já me disseram que é outra coisa)
orkut também é otimo: