terça-feira, dezembro 23, 2008


Up Your Ass

(trecho da peça de Valerie Solanas)



Bongi: Há uma pequena máxima bem engenhosa - enquanto a mão está balançando o berço ela não balançará o barco.
Ginger: Existem muitas mãos masculinas por aí para fazer qualquer tumulto necessário.

Bongi: Eu encontrei relativamente várias mãos masculinas peludas e velhas no meu dia, e não é o barco que elas querem agarrar.

Cat: Por que deveria ser? É um mundo de homens.

Bongi: Apenas por descuido.

Ginger: Descuido ou não, eu acho que é maravilhoso.

Cat: Claro, em um mundo de homem vocês largadas tem a última arma - sexo.

Bongi: Então por que nós nunca tivemos 1 presidente sexy?

Cat: (para Bongi) Por que você não se candidata a presidente?

Bongi: Nah, eu gosto de pensar grande.

Ginger: Pessoalmente, eu odiaria ver uma mulher presidente.

Cat: Por quê? Mulheres são tão boas quantos os homens em todos os aspectos.

Bongi: Eu já tive o bastante dos seus insultos.

Ginger: Bem, quer elas sejam ou não, nós nunca teremos uma. Nunca! Nós nunca tivemos... ("aquela" voz) ...e nunca teremos. Teremos, Russell?

Russell: É impensável.

Bongi: Talvez ser presidente não seria uma idéia tão má: eu poderia eliminar o sistema monetário, e deixar as máquinas fazerem todo o trabalho.

Cat: Obrigada pelo aviso. Terei certeza de não votar em você. Claro, eu gostaria de não precisar de ganha-pão - eu não desejo ter de combinar casamento e uma carreira - mas as largadas podem precisar dele. Você sabe o S no símbolo de dólar? Aquilo significa sexo.

Ginger: Na verdade, há algo a ser dito pelo sistem de Bongi; homens precisam de tempo ocioso.

Cat: O que eu farei com todo o ócio? Deitar por aí com uma grande ereção?

Ginger: É um pecado amarrar os homens aos trabalhos. Homens são os caçadores...

Cat: É, eu tenho feito isso bastante.

Ginger: ...os aventureiros; eles deveriam ser livres para sair e inventar e explorar, voar para o desconhecido.

Russell: E deixar as crianças com as mulheres? Corroer meu filho com femininidade? Nunca! Quando mães não estão competindo estão servindo de mães; você tem que manter o olho nelas de perto. Eu quero que meu filho seja o melhor possível de todos os homens.

Bongi: Você quer dizer uma mulher mal-feita.

Russell: Quando ele crescer eu quero ser capaz de apontar para ele e dizer: "Aí vai meu filho - o homem." Eu quero viver em uma cultura masculina.

Bongi: Essa é uma contradição de termos.

Russell: Eu quero um ambiente forte, viril.

Bongi: Então por que você não vai se exibir no ginásio YMCA?

Cat: A guerra dos sexos - ela vem se intensificando por séculos.

Bongi: Eu sei como nós podemos eliminá-la.

Cat: Como?

Bongi: Já ouviu falar de determinação de sexo?

Russell: Nunca! Nunca! Não é natural. Sempre existirão dois sexos.

Bongi: Homens são totalmente irracionais; eles não podem ver porque deveriam ser eliminados.

Russell: Não! O sistema de dois-sexos precisa estar certo; ele tem sobrevivido por centenas de milhões de anos.

Bongi: Assim como a doença.

Russell: Vocês não podem apenas determinar nosso fim. Nós não permitiremos; nós nos uniremos; nós lutaremos.

Bongi: Você também pode resignar-se: eventualmente a expressão "fêmeas da espécie" será uma redundância.

Russell: Você não sabe o que uma fêmea é, sua monstruosidade assexuada.

Bongi: Completamente o contrário, eu sou tão fêmea que sou subversiva
.

domingo, novembro 23, 2008

Quando Feministas Tomam Conta de Homens


Fesministas tomam conta de homens (e o mundo tal como criado e visionado por homens, realmente):

1. Quando elas emprestam crédito ou dão mais peso para o que é falado por um feminista que nasceu homem do que para uma feminista que nasceu mulher assim como o patriarcado faz;

2. Quando questões específicas para aquelas nascidas mulheres são de menor significância, interesse ou importância para elas do que questões específicas para aqueles nascidos homens, apenas como é a verdade das instituições patriarcais;

3. Quando elas escolhem alianças com homens que se auto-identificam como feministas ou pró-feministas à alianças com mulheres feministas;

4. Quando elas falharam em prezar, defender e protejer espaços reservados especificamente para o restabelecimento, construção coletiva e libertação daquelas nascidas mulheres e mulheres marginalizadas dedicadas a essas;

5. Quando elas falharam em distinguir entre essencialismo biológico e acontecimentos encobertos, iluminação e interrogação da única e específica opressão daquelas nascidas mulheres sobre a hetero-supremacia masculina;

6. Quando elas marginalizam, silenciam ou atacam mulheres que se dedicaram para as questões e interesses daquelas nascidas mulheres, assim como o patriarcado faz;

7. Quando elas defendem e protegem a criação da pornografia e prostituição e tráfico de mulheres (as quais elas podem chamar de alguma coisa diferente, apenas como o patriarcado faz);

8. Quando elas vêem noção de irmandade e solidariedade entre mulheres como antiquadas, passadas e retro(ativas) e não protegem e defendem a comunidade das mulheres, comunidade lésbica em particular;

9. Quando elas participam dos acontecimentos rasurados do "L" em "GLBT" (QDA).

10. Quando elas não vêem nenhum problema com a liderança masculina e/ou a cooptação de organizações feministas, instituições, eventos e estudos e ignoram, silenciam ou atacam mulheres feministas que objetam envolvimento macho e liderança;

12. Quando elas endossam ou suportam a suplantação de programas, instituições e recursos de 'estudos de mulheres' , com programas, instituições e recursos de estudos de "gênero";

13. Quando elas falham em reconhecer e vigorosamente advogar por e mentorar jovens brilhantes pessoas nascidas mulheres e ao invés, encorajam e advogam por aqueles nascidos homens;

14. Quando elas minimizam a significância e importância de separatismo lésbico, separatismo radical feminista, e comunidades separatistas de mulheres em geral, sua importância pro movimento de libertação de mulheres, e então participam em sua tachação e eliminação;

15. Quando elas usam o termo 'o que há no meio das pernas' de uma forma a minimizar ou apagar a significancia e sentido das experiências daquelas nascidas mulheres sob supremacia masculina;

16. Quando elas rejeitam, silenciam ou anulam, silenciam ou apagam as vidas de mulheres feministas e womanistas que são anciãs e falham em respeitar honrar e defendê-las quando necessário;

17. Quando falham em reconhecer que mulheres são um povo colonizado;

18. Quando elas falham em investigar e iluminar os mecanismos, dinâmicas e história de colonização emocional, física, espiritual e histórica colonização e subordinação daquelas nascidas mulheres por aqueles nascidos homens;

19.Quando elas desacreditam ou minimizam a significância da cultura de mulheres;

20. Quando elas participam das divisões no meio das mulheres feministas que são causadas em um caminho continuado por auto-identificados homens feministas;

21. Quando elas são lesbofóbicas, separatista fóbicas e radfem fóbicas.


Heart
http://womensspace.wordpress.com/2006/05/12/all-the-ways-feminists-take-care-of-men-1/

segunda-feira, outubro 20, 2008

Eloá E Nayara: mais duas mulheres vítimas da política de Femicídio patriarcal



Pela segunda-feira a tarde no Estado de São Paulo um rapaz de 22 anos invade o apartamento da ex-namorada armado, portando dois revolveres e uma sacola cheia de balas (munição). No apartamento se encontrava além da ex-namorada Eloá, sua amiga Naiara ambas de 15 anos de idade e dois outros colegas de escola que se encontravam fazendo um trabalho escolar.

Na mesma noite os dois rapazes reféns foram soltos do cativeiro e a amiga Naiara no dia seguinte. Este é considerado o mais duradouro cárcere privado/seqüestro atualmente no Brasil, passando de mais de cem horas.

Segundo o próprio seqüestrador o principal motivo que o levou a praticar o crime é que anteriormente em outra situação ele havia acabado o relacionamento com a mesma e ela teria ameaçado se matar colocando uma faca no pescoço exigindo a volta do namoro com ele e ele teria atendido ao seu pedido reatando o relacionamento que já estava se encaminhando para os três anos de namoro. Neste momento Eloá teria acabado o relacionamento e não teria atendido aos pedidos de Lindenberg de voltar com ele, deixando-o revoltado por que quando ela precisou do seu apoio ele teria dado e ela agora não teria feito o mesmo com ele.

Sobre o seqüestro em si a policia afirmou que o rapaz batia frequentemente na garota, a mantinha amarrada e na mira de uma arma, mas como o ato estava sendo considerado um crime passional as autoridades preferiram não tomar nenhuma decisão drástica para não botar em risco a vida de ambos, tanto do seqüestrador, quanto da seqüestrada.

Por se tratar de um crime passional como já foi dito antes, a policia decidiu deixar que a amiga de Eloá (Naiara) voltasse ao cativeiro para que a negociação de libertação da moça fosse agilizado, ato jamais visto em qualquer outra negociação do mundo (a volta de uma refém “menor de idade” para o cativeiro) com todos os riscos de vida eminente.

Após escutar um suposto tiro dentro da casa no final da semana a policia decide invadir o apartamento utilizando uma bomba para a explosão da fechadura da porta, o que teria dado chance e tempo para o seqüestrador atingir as duas garotas a tiros. Eloá foi baleada na área da virilha e na cabeça e sua amiga Naiara no rosto.

Ao final da operação da policia as duas moças foram levadas para o hospital e Lindenberg preso depois de ter resistido brutalmente à prisão. O advogado que o acompanhava durante as negociações abandou o caso dizendo que Lindenberg não cumpriu com a palavra de libertar a ex-namorada quebrando assim a confiança que se estabelecia até então entre eles. O rapaz pode pegar mais de 35 anos de prisão por vários crimes.

A bala que se alojou no rosto de Naiara foi retirada e a moça se encontra em observação ainda no hospital; já Eloá acabou falecendo de morte cerebral no dia de hoje 19-Outubro-2008, por ter perdido parte da massa encefálica, se sobrevivesse a moça entraria em estado vegetativo para o resto da vida, hoje ainda pela manha sua família toma a decisão de doar seus órgãos.

Isis dos santos 19-10-2008



MATERIAIS: (panfletos, cartazes)

quinta-feira, outubro 16, 2008

Como começa o feminismo 'sexpositive' para Catherine Mackinnon

“Começa com a idéia de que as pessoas, mesmo as pessoas que como um grupo são pobres e impotentes, fazem o que elas fazem voluntariamente, assim mulheres que posam para a Playboy estão lá por vontade própria. Esquecem as realidades da situação sexual/econômica das mulheres. Quando mulheres expressam nosso livre arbítrio, nós abrimos nossas pernas para uma câmera.Implícito aqui, também, está a idéia de que um corpo físico natural existe, anterior à sua construção social através da observação, o qual pode ser capturado e fotografado, mesmo ou especialmente, quando “em poses atraentes” – essa é uma citação da Filosofia Playboy. Então nos dizem que criticar isto é criticar “idéias”, não o que está sendo feito tanto para mulheres na revista ou para mulheres na sociedade como um todo. Qualquer crítica do que é feito é então taxada de crítica moral, o qual, como liberais sabem, pode envolver quaisquer opiniões ou idéias, e não fatos sobre a vida. Esta edificação defensiva inteira, por ilógico que pareça, depende completamente e coerentemente nas cinco dimensões cardinais do liberalismo: individualismo, naturalismo, voluntarismo, idealismo, e moralismo. Ou seja: membros de grupos que não têm escolha a não ser viverem a vida como membros de grupos são tomados como se fossem indivíduos únicos; as características sociais são então reduzidas a características naturais; preclusão de escolhas se torna livre arbítrio; realidade material é transformada em “idéias sobre” a realidade; e posições concretas de poder e impotência são transformadas em julgamentos relativos de valor, aos quais pessoas razoáveis podem formar preferências diferentes mas igualmente válidas.


O que eu acabei de descrever é a defesa ideológica da Pornografia. Dadas as conseqüências para as mulheres desta estrutura teórica formal, conseqüências que vivemos diariamente como desigualdade social (sem mencionar sua postura inerente de culpe-a-vítima), eu não acho que possa ser dito que o Feminismo Liberal é feminista. O que ele é, é liberalismo aplicado às mulheres.”




- Catherine McKinnon, Feminism Unmodified: Discourses on Life & Law ( Ed. Catherine MacKinnon., Cambridge: Harvard University Press, 1987, p. 136)

segunda-feira, julho 21, 2008

Celibato Apaixonado por Sally Cline e A Nova Mulher e a Moral Sexual de Alexandra Kollontai - Trechos

"Muitas de nós perdemos largas porções de nosas vidas ligadas a alguém, acreditando em outros para nossa validação, nosso valor próprio, nossa estabilidade emocional. Que um alguém, aqueles significantes outros, são muitas vezes parceiros sexuais. É difícil pra mulheres jogarem fora a noção de que nós somos completadas por estarmos atachadas a outro ser humano. . . Para muitas mulheres que escolhem celibato, é em um senso crítico sobre estar só. Sobre estar apta a fazer decisões para uma mesma sem referenciar a alguém mais; para viajar luzes sem ônus sexuais; aprender auto suficiencia e factua o que pode muitas vezes parecer assustador solidão por acreditar em si mesma para achar o caminho que se precisa."

"Celibato Passional é uma forma de sexualidade feminina. É a escolha de estar sem um parceiro sexual por razões positivas de caráter pessoal, politico, ou de crescimento espiritual, liberdade e independência. Celibato Passional é uma singularidade que permite mulheres a definir a elas mesmas autonomamente, enquanto que continuando a reter uma rede de conexões, particularmente em termos de outra pessoa e seus ou suas necessidades. É uma forma de prática sexual sem as lutas de poder de um relacionamento sexualmente ativo, que não é nem mantido por nem suporta o mito genital."

"Nós parecemos viver em uma sociedade sexual, mas não genuinamente sexual, porque uma verdadeira sociedade sexual oferecendo escolhas livres tanto para homens quanto para mulheres seria injuriante para a elite em poder. O que a gente vive é em uma sociedade genital-fixada que comunica mensagens para mulheres que muda de acordo com seu tempo para servir à ordem social. Essas são o que chamo 'mensagens genitais' . Homens prescrevem o que é feminino, o que é sexy, os ditames para o comportamento sexual de mulheres. Em diferentes momentos mulheres são ditas para serem mães quentes, chicas liberadas, ou putas frígidas. Em nenhum momento pode uma mulher livremente escolher estar em regime celibatário como uma forma de comportamento sexual, porque em momento algum pôde uma mulher livremente estar permitida a escolher seu próprio modo de atividade sexual. Homens sempre sublinharam o que era apropriado, decidiram o que era desejável."

"Através do celibato uma mulher aprende a controlar sua própria vida, a tomar riscos, a crescer, fazer decisões, a viver por sua própria conta, a valorizar outras mulheres, a ver homens como possíveis amigos e potenciais iguais e não apenas como meramente amantes ou inimigos."

"No fim do período vitoriano quase uma entre três mulheres adultas eram solteiras e uma em cada quatro eram não desejosas de se casar."

traduzido de:
http://www.pinn.net/~sunshine/book-sum/celibacy.html



"É preciso que se abram para a mulher as múltiplas portas da vida. É preciso endurecer seu coração e foijar sua vontade. Já é hora de ensinar à mulher a não considerar o amor como a única base de sua vida e sim como uma etapa, como um meio de revelar seu verdadeiro eu. É necessário que a mulher aprenda a sair dos conflitos do amor, não com as asas quebradas e sim como saem os homens, com a alma fortalecida. É necessário que a mulher aceite o lema de Goethe: “Saber desprezar o passado no momento em que se quer e receber a vida como se acabasse de nascer”. Afortunadamente, já se distinguem os novos tipos femininos, as mulheres celibatárias para as quais os tesouros que a vida pode oferecer não se limitam ao amor". (Alexandra Kollontai, A Nova Mulher e a Moral Sexual)



...para terminar, a nossa sempre queridíssima Andrea Dworkin:

"Um amor romântico, tanto na pornografia quanto na vida real, é a mítica celebração da negação feminina. Para uma mulher, o amor é definido como sua boa vontade para se submeter a sua própria aniquilação. A prova de amor é que ela está disposta a ser destruída por aquele que ela ama, pelo seu bem. Para as mulheres, o amor é sempre auto-sacrifício, sacrifício de sua identidade, desejo e integridade de seu corpo; para que satisfaça e se redima diante da masculinidade de seu amado".